O Partido Novo acabou no centro de uma controvérsia política na Câmara dos Deputados após mudar o tom de seu discurso em dois episódios recentes envolvendo representações no Conselho de Ética. O movimento provocou críticas nos bastidores e abriu espaço para questionamentos sobre a coerência da legenda em relação ao chamado devido processo legal.
A polêmica começou ainda em novembro do ano passado, quando o Novo protocolou uma representação por quebra de decoro contra toda a bancada do PSOL na Câmara e também contra o líder do PT, o deputado federal Lindbergh Farias. O motivo foi uma queixa-crime apresentada à Procuradoria-Geral da República contra o senador Flávio Bolsonaro. As informações são do colunista de O Globo, Lauro Jardim.
Na avaliação do Novo, os parlamentares de esquerda teriam extrapolado ao acionar a PGR após a convocação de uma vigília ligada ao senador. O partido sustentou que o ato tinha caráter legítimo e até religioso, rejeitando a interpretação de que haveria motivação política irregular.
A representação, no entanto, permaneceu parada por cerca de cinco meses na Mesa Diretora da Câmara antes de ser encaminhada ao Conselho de Ética. O tema chegou a ser cotado para entrar na pauta nesta semana, mas acabou retirado de última hora.
Contradição no plenário
O cenário mudou após um novo episódio ocorrido nesta semana na Câmara. Antes da votação que aprovou a suspensão do mandato de três deputados envolvidos no motim realizado no plenário em defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o próprio Novo passou a defender uma posição diferente da adotada anteriormente.
Desta vez, o partido argumentou que os casos deveriam ser analisados individualmente, e não em bloco. Entre os parlamentares atingidos estavam Marcos Pollon, Zé Trovão e Marcel van Hattem, este último integrante da própria legenda.
O principal argumento apresentado foi a necessidade de garantir o devido processo legal e a individualização das condutas de cada deputado investigado.
Nos bastidores da Câmara, porém, a mudança de posição rapidamente chamou atenção. Isso porque a representação apresentada anteriormente pelo Novo contra o PSOL e Lindbergh Farias foi protocolada de forma ampla, sem detalhar de maneira individualizada a conduta de cada parlamentar citado.
Estratégia política em debate
A situação alimentou críticas entre parlamentares e integrantes do Conselho de Ética. Reservadamente, deputados avaliam que a ofensiva do Novo poderia ter também um objetivo político estratégico: afastar integrantes do PSOL do colegiado.
Isso porque a simples admissão de uma representação pode resultar na saída temporária do parlamentar do Conselho de Ética. Atualmente, um dos nomes do PSOL que integra o grupo é o deputado Chico Alencar.





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