A crise entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ganhou novos contornos nesta quarta-feira (6), após declarações duras dadas pelo senador depois da rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Ao ser questionado sobre o que esperava do Palácio do Planalto após a derrota sofrida pelo governo no Senado, Alcolumbre respondeu de forma direta:“Eu tenho que esperar alguma coisa? Não tenho que esperar nada.”
A fala ocorreu em meio às tentativas do governo federal de reconstruir pontes com o Congresso após a derrota considerada histórica para o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
A rejeição de Messias para a vaga no STF foi interpretada em Brasília como um duro revés político para o Planalto e expôs o desgaste da relação entre Lula e o comando do Senado.
Crise entre Senado e Planalto aumenta
Nos bastidores, parlamentares apontam que Alcolumbre teve papel decisivo no movimento que culminou na rejeição do chefe da Advocacia-Geral da União. Segundo relatos de senadores, o presidente da Casa teria atuado silenciosamente junto a integrantes de partidos como MDB, PSD, União Brasil e PP para barrar a indicação.
O episódio ampliou o mal-estar que já vinha sendo acumulado desde o ano passado. Aliados de Alcolumbre afirmam que o senador ficou insatisfeito com a decisão de Lula de indicar Jorge Messias sem uma conversa prévia com o comando do Senado.
Reservadamente, o presidente da Casa defendia o nome do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para ocupar a cadeira no Supremo.
Durante entrevista nesta quarta-feira, Alcolumbre também evitou comentar se acredita em uma nova indicação de Lula ao STF ainda neste ano. Questionado sobre o tema, repetiu a mesma resposta curta: “Não tenho que esperar nada.”
Articulações do governo continuam
Mesmo após a derrota, integrantes do governo seguem tentando reduzir a tensão política. Os ministros José Múcio e José Guimarães tiveram reuniões recentes com Alcolumbre na tentativa de reconstruir o diálogo.
Dentro do governo, a avaliação é de que a rejeição de Jorge Messias revelou uma fragilidade inédita da articulação política do Planalto no Senado. O episódio também acendeu um alerta sobre futuras votações estratégicas envolvendo o Supremo e pautas de interesse do Executivo.
A derrota de Messias acabou se transformando em um símbolo da disputa de força entre o Congresso e o governo federal, num momento em que Lula tenta reorganizar sua base política e reduzir resistências dentro do Parlamento.






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