Ex-governador do Acre, Gladson Cameli é condenado a 25 anos de prisão pelo STJ

Corte aponta corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos, além de tornar o ex-governador inelegível por oito anos

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou, nesta quarta-feira (6), o ex-governador do Acre Gladson Cameli (PP) a 25 anos e 9 meses de prisão por crimes como corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e dispensa irregular de licitação. A informação foi divulgada por O Estado de S. Paulo.

A decisão também torna Cameli inelegível por oito anos, conforme prevê a Lei da Ficha Limpa, mesmo antes do trânsito em julgado. Para reverter essa condição e disputar as eleições, o ex-governador precisará obter uma liminar na Justiça Eleitoral. Procurado, ele não se manifestou sobre a sentença. Em ocasiões anteriores, sempre negou irregularidades.

Julgamento dividido sobre a pena

O placar final foi de oito votos favoráveis à condenação nos termos da relatora, ministra Nancy Andrighi. A pena fixada foi de 25 anos e 9 meses de prisão. Três ministros divergiram quanto à dosimetria e acompanharam o revisor João Otávio de Noronha, que propôs uma pena menor, de 16 anos.

Apesar da divergência parcial, a maioria do colegiado reconheceu a existência de um esquema de corrupção estruturado durante a gestão de Cameli no governo do Acre.

Investigação aponta desvio milionário

O processo tem origem na Operação Ptolomeu, conduzida pela Polícia Federal, que apura o desvio de aproximadamente R$ 16 milhões dos cofres públicos. As investigações deram origem a diversos inquéritos que analisam contratos firmados durante o mandato do ex-governador.

Um dos principais pontos da denúncia envolve um contrato firmado em maio de 2019 entre a Secretaria de Infraestrutura do Acre e a empresa Murano Construções, responsável pela manutenção de prédios públicos.

Ligação com empresa do irmão

Segundo os investigadores, logo após a assinatura do contrato, a Murano estabeleceu parceria com a empresa Rio Negro, administrada por Gledson Cameli, irmão do ex-governador. A empresa teria recebido cerca de R$ 2 milhões.

Para a acusação, houve uma tentativa de ocultar a participação da empresa ligada à família do então governador, o que indicaria um acerto prévio para beneficiar o grupo.

Imóvel de luxo é apontado como propina

Outro elemento considerado relevante pela Procuradoria-Geral da República é a compra de um apartamento de alto padrão, avaliado em cerca de R$ 6 milhões, no bairro dos Jardins, em São Paulo. O imóvel é apontado como pagamento de propina.

De acordo com a Polícia Federal, o apartamento foi quitado por uma empresa ligada ao irmão de Cameli, que recebeu recursos de outra companhia abastecida com valores provenientes da Murano Construções — empresa que mantinha contratos superiores a R$ 30 milhões com o governo estadual.

A defesa da construtora também foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

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