Justiça condena Clínica da Gávea por morte de músico, filho de ex-vice-prefeito de Niterói, ocorrida há nove anos

Mário Rezende Travassos, filho do ex-vice-prefeito de Niterói Eduardo Travassos, morreu aos 39 anos após ser imobilizado por funcionários da instituição

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Nove anos depois da morte do músico e artista plástico Mário Rezende Travassos, filho do ex-vice-prefeito de Niterói Luiz Eduardo Travassos, a Justiça condenou a Clínica da Gávea, na Zona Sul do Rio, a pagar R$ 300 mil em indenização à mãe e à namorada do artista. Mário morreu aos 39 anos, em julho de 2017, após ser imobilizado por funcionários da instituição onde havia sido internado para tratamento psiquiátrico. A informação foi divulgada pelo jornalista Ancelmo Gois, de O Globo.

A decisão da 19ª Câmara de Direito Privado reconheceu falha na prestação dos serviços da clínica. Uma perícia concluiu que a morte foi provocada pela forma inadequada de contenção física, afastando a hipótese de cardiopatia apontada inicialmente no laudo cadavérico.

O caso ganhou repercussão em Niterói, onde a família Travassos tem uma trajetória ligada à política e à cultura. Pai do músico, Eduardo Travassos foi um dos fundadores do PT no município e ocupou o cargo de vice-prefeito na administração de Jorge Roberto Silveira, eleito em 1988.

Imobilização e investigação policial

Mário havia sido internado na Clínica da Gávea após apresentar problemas de saúde que incluíam insônia. No dia seguinte, foi abordado por funcionários ao entrar em uma área restrita da unidade.

Imagens de câmeras de segurança mostraram que o músico foi derrubado e imobilizado no chão. Durante a contenção, profissionais pressionaram os joelhos contra suas costas, mantendo-o nessa posição até que deixasse de resistir.

A investigação da Divisão de Homicídios apontou sinais de violência no corpo do artista, incluindo lesões na cabeça e dentes quebrados. A Polícia Civil identificou asfixia relacionada à contenção como causa da morte.

Na época, a família questionou a falta de esclarecimentos sobre o episódio. O caso chegou ao Ministério Público do Rio de Janeiro, que recebeu familiares e o então deputado estadual Marcelo Freixo, à época presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj.

Além da responsabilização da instituição na esfera cível, os funcionários Diogo Fonseca Molina e Carlos Francisco Ferreira Martins foram condenados pela 40ª Vara Criminal.

A nova decisão reconheceu o direito da mãe do músico, Luisa Travassos, e de sua namorada à reparação pelos danos sofridos.

Livro resgatou trajetória do artista

Mário nasceu e viveu em Niterói, onde iniciou sua formação musical. Estudou no Conservatório de Música, em Icaraí, e se formou em composição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ao longo da carreira, participou de grupos como Guanarabara Ska Club, Uiskeletos e Coquetel Acapulco. Também esteve envolvido em um projeto social destinado a jovens do Complexo da Maré.

Em agosto de 2026, sua história ganhou um novo capítulo com o lançamento do livro “Mariestro: um tributo ao gigante Mario Travassos”, escrito pelo jornalista Pedro de Luna. A biografia, de 104 páginas, reúne depoimentos de familiares e amigos e resgata a produção artística do músico.

A obra foi idealizada a partir de um convite de Luisa Travassos, que buscava preservar a memória do filho para além das circunstâncias de sua morte.

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