Corpo de campeã pan-americana Rie Nagasako é velado e será cremado no Rio

Atleta morreu após cair no mar durante aula de canoagem na Barra da Tijuca; ela tentou orientar alunos para uma área segura antes de ser arrastada pela correnteza

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O corpo da remadora Rie Nagasako, campeã pan-americana de canoagem havaiana, é velado nesta segunda-feira (12) no Rio de Janeiro e será cremado. A atleta morreu na sexta-feira (9), um dia após sofrer um acidente no mar da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da capital fluminense, enquanto ministrava uma aula de canoagem.

Rie caiu na água na altura do Quebra-Mar, na manhã de quinta-feira (8), depois de tentar proteger os alunos das condições do mar. Segundo relatos, ela orientou os participantes a direcionarem suas canoas para um ponto mais seguro, mas acabou perdendo o equilíbrio e foi arrastada pela correnteza.

Um vídeo registrou os momentos de tensão durante a tentativa de resgate da atleta, que foi localizada em alto-mar por equipes do Corpo de Bombeiros.

Resgate mobilizou helicóptero dos bombeiros

O resgate ocorreu por volta das 7h. Devido à gravidade da situação, os bombeiros utilizaram um helicóptero para retirar a remadora do local e encaminhá-la ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul do Rio.

Rie deu entrada na unidade de saúde em estado gravíssimo. Apesar dos esforços das equipes médicas, não resistiu e morreu no dia seguinte ao acidente.

As circunstâncias da queda chamaram a atenção de amigos e integrantes da comunidade esportiva, especialmente porque a atleta estava orientando os alunos no momento em que foi surpreendida pela força da água.

Campeã pan-americana tinha trajetória de conquistas

Reconhecida no cenário internacional da canoagem havaiana, Rie Nagasako conquistou o título pan-americano de Va’a em 2025. A modalidade utiliza embarcações tradicionais com estabilizadores laterais e exige técnica, resistência física e conhecimento das condições do mar.

A remadora também conquistou uma medalha de bronze na categoria sprint do Campeonato Mundial da modalidade, consolidando sua trajetória entre os destaques do esporte.

Além dos resultados nas competições, Rie fundou o clube Barra Va’a e o Projeto Somar, iniciativas voltadas à prática da canoagem e à inclusão de pessoas com deficiência no esporte.

Amigos lamentam morte e destacam dedicação aos alunos

A morte da atleta provocou comoção entre amigos, alunos e integrantes da comunidade da canoagem. Cristiana Mota, amiga de Rie, destacou o compromisso da remadora com o esporte e com projetos sociais.

“A Japa era uma atleta de ponta, uma pessoa dedicada 100% pro Brasil. Ganhou medalha no Havaí, ganhou medalha em Londres, ganhou medalha no mundo inteiro. Sempre em busca inclusive de ajudar os outros. Ela tem um projeto de deficientes remadores. É uma pessoa com um coração enorme. E o que aconteceu com ela certamente foi porque ela tava poupando as pessoas”, disse.

Cristiana acredita que o esforço para proteger os alunos pode ter contribuído para o desgaste físico da atleta antes de ela ser levada pela correnteza.

“Foi uma grande fatalidade. Não teve nada de errado. Acho que o fato de ela tentar salvar as pessoas ainda que estavam na canoa, tipo assim ‘volta, volta’, ela se cansou ali. E com esse cansaço, ela não conseguiu resistir e é isso. É uma grande perda pra todo mundo.”

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