O sétimo dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e de Monique Medeiros chegou ao fim na noite deste domingo (31), após cerca de nove horas de sessão no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
Um dos destaques do dia foi o depoimento da 20ª testemunha ouvida no processo, a pastora Miriam Santos Rabelo Costa, indicada pela defesa de Jairinho. Durante sua participação por videoconferência, diretamente do estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, ela relatou ter tomado conhecimento de um suposto acidente de trânsito envolvendo Henry Borel poucos dias antes da morte do menino.
Segundo a testemunha, a informação teria sido repassada pelo motorista particular de Leniel Borel, pai da criança.
De acordo com o relato apresentado ao júri, o veículo em que Henry estava teria precisado frear bruscamente após uma manobra de outro automóvel. A testemunha afirmou que o menino teria sido projetado para frente, batido a cabeça e reclamado de dores após o episódio.
Relato sobre suposto acidente ganha destaque na sessão
Miriam afirmou que conversou com o motorista identificado como Maurício, que teria narrado os detalhes do ocorrido. Segundo ela, Henry ocupava o banco traseiro do veículo no momento da frenagem.
O depoimento chamou atenção por abordar um episódio que, segundo a testemunha, ocorreu dias antes da morte do menino, registrada em março de 2021.
Além desse relato, Miriam também fez acusações contra Leniel Borel relacionadas a uma suposta dívida financeira. Conforme declarou, teria emprestado mais de 60 mil dólares ao pai de Henry, valor que, segundo ela, não foi devolvido.
Babá, pai e atual companheira de Jairinho também depuseram
Ao longo do domingo, outras três testemunhas foram ouvidas pelo conselho de sentença.
A primeira foi Thayná de Oliveira Ferreira, babá que cuidava de Henry na época dos fatos. Ela relatou situações que considerou suspeitas envolvendo a convivência entre Jairinho e a criança.
A testemunha também declarou que, após a morte do menino, recebeu orientações para apagar mensagens e evitar comentários que pudessem comprometer integrantes da família.
Outro depoimento de destaque foi o do coronel Jairo Souza Santos, pai de Jairinho. Durante sua fala, ele contestou relatos apresentados por ex-companheiras do filho e pela filha de uma delas, que anteriormente haviam mencionado supostos episódios de agressão atribuídos ao ex-vereador.
Atual esposa de Jairinho tenta afastar imagem de agressividade
A terceira testemunha ouvida no domingo foi Fernanda Abidur Figueiredo, atual companheira de Jairinho.
Durante seu depoimento, ela buscou contrariar versões apresentadas anteriormente por outras testemunhas sobre o comportamento do réu.
Fernanda afirmou que, em momentos de crise no relacionamento motivados por supostas traições, ela própria teria agredido Jairinho fisicamente, sem receber qualquer reação por parte dele.
Júri entra em fase decisiva nesta segunda-feira
Inicialmente, o julgamento previa a oitiva de 27 testemunhas. Entretanto, dispensas realizadas pelas defesas reduziram esse número para 23 depoentes.
Com o encerramento do sétimo dia, restam apenas três testemunhas para serem ouvidas. A expectativa é de que a sessão desta segunda-feira (1º) seja marcada por depoimentos técnicos considerados fundamentais para o andamento do processo.
Estão previstos os testemunhos do psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro, do médico Jeferson Evangelista Correia e do perito Leonardo Huber Tauil, responsável pelo laudo de necropsia de Henry Borel.
Após a conclusão dessas oitivas, o julgamento deverá avançar para as etapas finais, incluindo debates entre acusação e defesa antes da decisão do conselho de sentença.
Relembre o caso Henry Borel
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, após ser levado ao Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, apresentando múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória.
Jairinho e Monique Medeiros respondem pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica.
Segundo a denúncia do Ministério Público, a criança teria sido submetida a agressões dentro do apartamento onde vivia com a mãe e o então padrasto. O caso teve ampla repercussão nacional e segue sendo acompanhado de perto pela sociedade e pelas autoridades judiciais.






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