O tênis brasileiro voltou a viver um momento histórico em Roland Garros. Neste domingo (31), o carioca de Ipanema João Fonseca, de apenas 19 anos, derrotou o norueguês Casper Ruud por 3 sets a 1, com parciais de 7/5, 7/6 (10/8), 5/7 e 6/2, garantindo vaga nas quartas de final do Grand Slam francês, um dos quatro principais torneios do tênis mundial. O resultado encerra um jejum de 22 anos sem um brasileiro entre os oito melhores do torneio masculino, desde a campanha de Gustavo Kuerten, em 2004.
A classificação ganha ainda mais simbolismo pelo fato de Guga estar presente na quadra Philippe-Chatrier acompanhando a atuação do jovem carioca. Diante de um dos principais especialistas em saibro do circuito, duas vezes vice-campeão em Paris, Fonseca mostrou maturidade, controle emocional e um nível técnico elevado para avançar na competição.
Atuação segura diante de um adversário experiente
Diferentemente das rodadas anteriores, quando precisou buscar viradas após perder os primeiros sets, João Fonseca começou a partida impondo seu ritmo. Com golpes agressivos e consistentes dos dois lados da quadra, o brasileiro conseguiu controlar boa parte das ações diante de Ruud.
O primeiro set foi decidido apenas no 12º game. Após desperdiçar oportunidades de quebra durante a parcial, Fonseca manteve a concentração e conseguiu a vantagem necessária para fechar em 7/5.
No segundo set, a disputa ficou ainda mais equilibrada. Ruud elevou o nível do saque e passou a pressionar mais na rede, levando a decisão para o tie-break. Em um desempate emocionante, com chances para ambos os tenistas, o brasileiro levou a melhor por 10 a 8 e abriu dois sets de vantagem.
A vitória parcial colocou Fonseca em posição confortável, mas a experiência do norueguês ainda transformaria o confronto em uma batalha intensa.
Ruud reage, mas brasileiro mantém controle do jogo
No terceiro set, Casper Ruud conseguiu reagir. Aproveitando uma leve queda de intensidade do adversário, o norueguês aumentou a pressão e venceu por 7/5, reacendendo a disputa pela vaga.
A resposta de João Fonseca, entretanto, foi imediata. Demonstrando personalidade e maturidade incomuns para a idade, o brasileiro retomou o controle da partida no quarto set. Com duas quebras de serviço e atuação dominante nos momentos decisivos, administrou a vantagem até fechar em 6/2.
Após a partida, Fonseca destacou a dificuldade do desafio diante de um dos principais nomes do saibro mundial.
“Ele é um jogador muito experiente e sabe jogar aqui. Tem duas finais, então foi difícil”, afirmou.
Gustavo Kuerten acompanha momento histórico em Paris
Além da classificação inédita para sua carreira, João Fonseca teve um incentivo especial vindo das arquibancadas. Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros e maior nome da história do tênis brasileiro, acompanhou a partida de perto.
O jovem tenista fez questão de agradecer a presença do ídolo após a vitória.
“Foi minha primeira vez aqui quando disputei o torneio juvenil. É um prazer ter o Guga assistindo e vencer um adversário tão difícil na frente dele”, declarou.
O ambiente em Paris também foi marcado por uma atmosfera especial. Enquanto a partida acontecia, torcedores do Paris Saint-Germain celebravam nas proximidades do complexo a conquista da Liga dos Campeões da Europa, criando um cenário de festa que se refletiu dentro e fora do estádio.
Com a Philippe-Chatrier lotada, Fonseca correspondeu à expectativa e protagonizou uma das maiores vitórias de sua jovem carreira.
Próximo desafio será contra Jakub Mensik
Agora, o brasileiro segue em busca de uma campanha ainda mais histórica. Nas quartas de final, João Fonseca enfrentará o tcheco Jakub Mensik, atual número 27 do ranking mundial e campeão do Masters 1000 de Miami em 2025.
Mensik garantiu sua vaga após derrotar o russo Andrey Rublev em uma partida disputada em cinco sets.
Com a classificação, Fonseca se torna apenas o segundo adolescente brasileiro a alcançar as quartas de final de um Grand Slam. O primeiro havia sido Thomaz Koch, em 1963.
Apesar do desgaste físico natural de sua primeira experiência avançando até a segunda semana de um Grand Slam, o carioca demonstrou confiança para a sequência do torneio.
“Estou cansado. É sempre uma primeira vez para mim. É uma nova experiência. Mas está tudo bem”, afirmou.
Ao final da partida, dirigindo-se aos torcedores brasileiros presentes em Paris, deixou uma mensagem que resume o momento vivido pelo tênis nacional:
“O sonho não acabou”.





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