O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, iniciou na tarde desta terça-feira (2) seu interrogatório no Tribunal do Júri que julga a morte do menino Henry Borel, de 4 anos. Réu por homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo, ele começou o depoimento pedindo aos jurados que buscassem a verdade ao analisar o caso, apelando para a crença religiosa.
“Jesus vai colocar a gente no caminho da verdade”, afirmou Jairinho logo no início de sua fala ao Conselho de Sentença.
O interrogatório teve início por volta das 16h50, após mais de seis horas de depoimento de Monique Medeiros, mãe de Henry e corré no processo. Mais cedo, ela afirmou pela primeira vez acreditar que o ex-companheiro foi o responsável pela morte do filho. “Hoje eu creio que foi o Jairo”, disse Monique durante o julgamento.
Segundo a defesa, Jairinho responderá apenas às perguntas formuladas por seus advogados.
Jairinho voltou a fazer críticas às investigações
Em tom emocionado, o ex-vereador começou o depoimento falando sobre sua trajetória pessoal e familiar. Em um dos momentos que demonstrou maior emoção, ficou com a voz embargada ao mencionar o filho, que integra sua equipe de defesa no julgamento. De acordo com Jairinho, ele precisou antecipar disciplinas da faculdade para concluir a formação e atuar no caso. Ao relatar o esforço do filho para acompanhá-lo durante o processo, o réu chorou diante dos jurados.
Ao abordar a ação penal, Jairinho voltou a criticar a investigação e afirmou que a defesa teve acesso, nos últimos anos, a elementos que ainda não eram conhecidos no início do processo.
“Esse processo é tão fora da curva que nós da defesa, a cada mês que se passa, temos acesso a novas provas. Tem provas que a gente teve acesso em janeiro deste ano, provas que mudam completamente as coisas que estão acontecendo. Realmente é uma coisa para colocar o coração de vocês, colocar a verdade acima de tudo, aquilo que é o certo”, declarou.
O réu tentou adiar o julgamento em diferentes momentos e, ao longo do processo, apresentou diversos questionamentos sobre a condução das investigações. Em março, quando o júri chegou a ser iniciado, a defesa de Jairinho abandonou o plenário, o que levou à suspensão da sessão e ao adiamento do julgamento para maio — episódio que foi duramente criticado pela juíza responsável pelo caso.
Já às vésperas da retomada do júri, no fim do mês passado, Jairinho voltou a tentar postergar o julgamento e chegou a destituir sua equipe de defesa após um dos advogados sofrer um infarto. A decisão, no entanto, foi revertida depois que a magistrada advertiu que ele poderia ser transferido de Bangu 8 para Bangu 1.
Nono dia de julgamento
O interrogatório ocorre no nono dia do julgamento, considerado um dos mais longos do Rio de Janeiro em quase 20 anos. Ao longo da fase de instrução, foram ouvidas 22 testemunhas entre policiais, peritos, médicos, familiares, ex-companheiras de Jairinho e pessoas ligadas ao casal.
Diferentemente das testemunhas, os réus têm apresentam diretamente aos jurados suas versões sobre os fatos que levaram à morte da criança, ocorrida em março de 2021.
Mais cedo, Monique Medeiros afirmou relatou episódios de agressões envolvendo Jairinho e declarou que passou a enxergar o ex-companheiro de forma diferente após tomar conhecimento de outros relatos de agressão envolvendo crianças.
Ela também disse acreditar que foi dopada por Jairinho na noite da morte do filho e negou ter sido alertada previamente pela babá sobre agressões contra a criança.
Julgamento entra na reta final
Com o encerramento dos interrogatórios, o julgamento deve avançar para a fase de debates entre acusação e defesa, considerada uma das etapas mais importantes do Tribunal do Júri.
O Ministério Público e os assistentes de acusação terão até três horas para apresentar suas conclusões aos jurados. Em seguida, as defesas de Jairinho e Monique dividirão igual período para sustentar suas teses.
Após os debates, os sete integrantes do Conselho de Sentença responderão aos quesitos formulados pela Justiça e decidirão pela condenação ou absolvição dos réus.
Henry Borel morreu em março de 2021 após dar entrada no Hospital Barra D’Or com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica. As investigações apontam que o padrasto submetia Henry a agressões recorrentes, enquanto a mãe tinha conhecimento dos episódios e não teria adotado medidas para proteger a criança.






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