Jairinho obtém vitória na Justiça durante júri do caso Henry e interrogatório é adiado

Decisão da 7ª Câmara Criminal do TJRJ determina que ex-vereador seja ouvido apenas após Monique Medeiros

O julgamento do caso envolvendo a morte do menino Henry Borel ganhou mais um capítulo de tensão nesta quarta-feira (27), após a defesa do ex-vereador Doutor Jairinho obter uma liminar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) para adiar o interrogatório do réu no plenário do júri.

A decisão da 7ª Câmara Criminal garante que Jairinho seja ouvido apenas depois do depoimento de Monique Medeiros, também ré no processo. Os advogados Rodrigo Faucz e Alanis Matzembacher argumentaram que o acusado precisa conhecer previamente todo o conteúdo das acusações apresentadas durante o julgamento antes de se manifestar diante dos jurados.

Segundo a defesa, o pedido já havia sido feito à juíza Elizabeth Louro no início da sessão, mas acabou negado em primeira instância. Após recorrerem ao tribunal, os advogados conseguiram a liminar favorável.

Em nota, Faucz afirmou que a medida garante o direito à ampla defesa. “Não é possível que aquele que está sendo acusado tenha de se manifestar antes da acusação. Isso é básico em qualquer Estado de Direito”, declarou.

Depoimento gera embate

O terceiro dia de julgamento no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, também foi marcado pelo depoimento do psiquiatra Rafael Bernardon, contratado por Leniel Borel, pai de Henry, para elaborar um parecer anexado ao processo.

Durante a oitiva, o especialista afirmou ter identificado um suposto “padrão repetitivo de abuso infantil” atribuído a Jairinho. Segundo Bernardon, relatos de ex-companheiras do ex-vereador apontariam episódios de agressões contra crianças.

O psiquiatra também declarou que Jairinho apresentaria “características de personalidade narcisista, perversa e sádica”. A fala provocou reação imediata das defesas, que questionaram a validade do parecer por não haver entrevista direta com os réus.

Os advogados de Jairinho classificaram o depoimento como inadequado e alegaram violação de diretrizes éticas da psiquiatria. Apesar dos protestos, os pedidos para interromper a oitiva foram rejeitados pela juíza.

Clima de tensão no plenário

Além das disputas jurídicas, o julgamento teve um momento inusitado. Durante o depoimento, a bancada onde estavam Jairinho e seus advogados caiu dentro do plenário, derrubando computadores e interrompendo a sessão por cerca de cinco minutos.

Desde o início do júri, o caso vem sendo marcado por pedidos de nulidade, discussões entre acusação e defesa e depoimentos de investigadores envolvidos nas apurações.

Na terça-feira (26), a delegada Ana Carolina Lima Medeiros de Caldas afirmou aos jurados que a investigação concluiu que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas por Henry antes da morte da criança.

Acusação e defesa

Jairinho e Monique respondem pela morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021, no Rio de Janeiro. A acusação sustenta que o menino foi vítima de agressões praticadas pelo padrasto e que a mãe tinha conhecimento da violência sofrida pela criança.

As defesas dos dois réus negam as acusações.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading