O médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior alegou inocência durante a audiência de instrução e julgamento do processo no qual é réu, com a ex-namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, por torturas e morte contra o filho dela, Henry Borel Medeiros.
O ex-parlamentar, preso desde o ano passado, participa de um interrogatório no plenário do II Tribunal do Júri nesta segunda-feira (13). Em sua primeira fala, em que tem contato episódios de sua vida privada e da relação entre ele e Monique e com o menino, ele afirmou que tinham uma “vida felizes juntos”. Os três moravam num apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, onde Henry morreu em março do ano passado.
— Eu sou inocente! Eu não fiz isso com Henry! Por Deus! Não é verdade. Isso que estão me acusando não aconteceu. Quando me mudei para morar com a Monique, escolhi o melhor quarto para ele. Tínhamos uma vida felizes juntos — disse o ex-parlamentar durante sua fala.
Momentos antes, ele definiu Henry como “a criança mais linda desse mundo”. Ele voltou a afirmar que não seria capaz de fazer mal a uma criança. O ex-parlamentar, no entanto, foi indiciado, em abril do ano passado, pelo crime de tortura majorada contra a filha de uma ex-namorada sua.
As agressões foram relatadas pela mãe e a avó da criança ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), durante o inquérito que apura a morte de Henry Borel Medeiros, de 4 anos, do qual são testemunhas, e seus termos de declaração foram encaminhados à especializada, onde foram abertos dois outros procedimentos investigativos. Na DCAV, a menina confirmou as violências. Foi feito um pedido de prisão preventiva do parlamentar.
— Quem seria capaz de fazer mal a uma criança? Quem é o ser humano que é capaz de fazer mal a uma criança? Existe? Existe. Eu sou médico, já vi acontecer diversas vezes. Isso não é o meu perfil. Isso não cabe, essa roupa não me cabe — falou Jairinho em audiência nesta segunda-feira.
A audiência teve início com cerca de duas horas de atraso e foi marcada por um bate-boca entre os advogados de defesa e a juíza Elizabeth Machado Louro, do II Tribunal do Júri.
Ao ter direito à palavra, Jairinho disse que só irá responder às perguntas feitas por seus advogados. A defesa do ex-parlamentar recorre ao Tribunal de Justiça do Rio e ao Superior Tribunal de Justiça para suspender a sessão, alegando que foram requeridos novos depoimentos que devem acontecer primeiramente.
— Eu juro por Deus que nunca encostei em nenhuma criança. Meu histórico não permite dizer isso. Sou nascido e criado em Bangu. Meus pais são casados há 50 anos. Minha família é pautada no amor. Sempre procurei fazer o que era certo — disse Jairinho no início de sua primeira fala.
Ao prosseguir, o médico e ex-vereador falou da vida pessoal. Dos relacionamentos anteriores que, como fruto, tiveram, ao todo, três filhos. Após uma das separações foi que conheceu Monique, em agosto de 2020. O relacionamento passou de namoro a viverem juntos num apartamento na Barra da Tijuca, também Zona Oeste do Rio, com Henry, onde o menino morreria em março do ano seguinte. A rapidez da união foi questionada por Maria Manuela Fernandes Santos, mãe de Jairinho, segundo ele contou nesta audiência.
O início da discussão se deu devido à, nos primeiros minutos da sessão, uma colocação da promotora de Justiça Bianca Chagas sobre postagens nas redes sociais de parte dos advogados envolvidos no processo em que a juíza foi chamada de “Rainha de Copas”. A postagem seria de uma matéria publicada.
Os advogados então disseram que se mantinham de pé por conta da “acusação”.
— Está atrapalhando a ordem e a segurança — disse a juíza Elizabeth Machado Louro sobre os advogados se manterem de pé.
— Me sinto insegura e afrontada. Não pode ficar um Exército em pé. Querem que eu peça para sentar? Levantar para quê? Pode falar um de cada vez, só não pode ficar em pé. Podem até sentar no colo do réu — esbravejou a magistrada.
Cerca de 20 minutos depois, o grupo se sentou.
* Informações de O Globo






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