Auditoria da Cedae aponta prejuízo de R$ 220 milhões com Banco Master

Investigação interna concluiu que banco não atendia critérios exigidos quando começaram as negociações e identificou mesmo padrão utilizado nos investimentos do Rioprevidência no Master

Uma auditoria interna da Cedae trouxe novos elementos para a investigação sobre os investimentos realizados no Banco Master e concluiu que a companhia pode ter acumulado um prejuízo superior a R$ 220 milhões com aplicações na instituição financeira. O relatório também identificou semelhanças entre o processo adotado pela estatal e a estratégia utilizada pelo Rioprevidência, que igualmente direcionou recursos ao banco.

Os documentos mostram que o Estado do Rio de Janeiro aplicou quase R$ 4 bilhões no Banco Master. Desse total, cerca de R$ 3,7 bilhões foram investidos pelo Rioprevidência, enquanto outros R$ 237 milhões partiram da Cedae. A auditoria foi realizada pela atual gestão da companhia e encaminhada à diretoria da estatal com recomendação de envio aos órgãos de controle.

Banco não atendia critérios

Segundo a investigação, quando começaram as negociações para um aporte de R$ 200 milhões, em 2023, o Banco Master não cumpria os requisitos previstos na política de investimentos da companhia.

A auditoria aponta que a instituição possuía classificação de risco inferior à exigida pelas normas internas da época e era avaliada por apenas uma agência de classificação de risco. Mesmo assim, meses depois, a política de investimentos foi alterada, passando a permitir aplicações em instituições com características semelhantes às do banco.

A cronologia reconstituída pelos auditores mostra que a Cedae havia aprovado, em março de 2023, uma política que exigia nota mínima equivalente a “A-” e avaliação por pelo menos duas agências independentes. Em julho daquele ano, documentos recebidos da instituição financeira indicavam classificação “BBB-“, o que, segundo a auditoria, deveria impedir o investimento. No entanto, as regras foram flexibilizadas em setembro.

Alertas ignorados

Outro ponto destacado pelo relatório envolve a condução do investimento após a aplicação dos recursos. Segundo a auditoria, diferentes setores da companhia passaram a emitir alertas sobre a situação financeira do Banco Master ao longo de 2025.

Apesar das recomendações para reduzir a exposição da estatal, a diretoria financeira teria demorado a agir. Quando a companhia tentou recuperar integralmente os recursos, em setembro de 2025, o banco já enfrentava dificuldades de liquidez. Pouco tempo depois, uma parcela prevista para devolução não foi paga e, posteriormente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.

O documento cita ainda suspeitas de negligência, dolo sistêmico, fraude e risco ao patrimônio da empresa. Entre os nomes mencionados está o então diretor administrativo-financeiro da Cedae, Antonio Carlos dos Santos.

Reunião após jantar em Nova York

A auditoria também identificou que a primeira reunião registrada entre representantes do Banco Master e integrantes da diretoria financeira da Cedae ocorreu seis dias após um jantar promovido pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o então governador Cláudio Castro, em Nova York.

O encontro já havia sido citado em investigação da Polícia Federal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Os auditores, porém, ressaltam que não estabeleceram qualquer relação entre o jantar e os investimentos posteriormente realizados pela estatal.

Além disso, registros analisados pela equipe de auditoria indicam que as negociações começaram antes do que havia sido informado oficialmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), reforçando questionamentos sobre a condução do processo.

O que dizem os envolvidos

Em nota, Antonio Carlos dos Santos afirmou repudiar as conclusões da auditoria e declarou que todas as etapas relacionadas à política de investimentos foram acompanhadas pelo Conselho de Administração da companhia, que recebia relatórios periódicos sobre as aplicações financeiras.

A atual gestão da Cedae informou que promoveu mudanças na política de investimentos, exonerou os responsáveis pelos aportes e adotará medidas para identificar responsabilidades, calcular o prejuízo definitivo e buscar eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Já o ex-governador Cláudio Castro afirmou que não interfere nas decisões de investimento da estatal e negou qualquer relação entre o jantar realizado em Nova York e os aportes feitos pela companhia no Banco Master.

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