Uma auditoria interna realizada pela atual gestão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) revelou novos detalhes sobre os investimentos da empresa no Banco Master. Segundo o relatório final da apuração, uma tentativa de resgatar R$ 44 milhões aplicados na instituição financeira foi interrompida por determinação interna, impedindo a redução da exposição da companhia ao investimento.
O documento foi produzido por determinação do presidente da Cedae, Rafael Rolim, e encaminhado ao governador em exercício, Ricardo Couto. A apuração também recomendou o envio das conclusões a órgãos de controle e fiscalização. As informações são do jornalista da Globo News, Octávio Guedes.
Ordem de resgate foi cancelada
De acordo com o relatório, em 28 de maio de 2025 o gerente financeiro Rodrigo Borges Mendes solicitou o resgate de R$ 44 milhões que estavam aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master.
No entanto, cerca de uma hora e meia depois da emissão da ordem, o procedimento teria sido cancelado por determinação de Mauro Luís Rodrigues, assessor da Diretoria de Investimentos da companhia.
A auditoria aponta que o cancelamento impediu a retirada dos recursos em um momento em que já existiam preocupações internas sobre a manutenção das aplicações.
Alertas internos
Segundo a investigação, outros órgãos da Cedae passaram a emitir alertas após tomarem conhecimento dos investimentos realizados junto ao Banco Master.
O relatório menciona registros em atas do Conselho de Administração e do Comitê de Auditoria que demonstrariam manifestações de preocupação relacionadas às aplicações financeiras.
Ainda assim, segundo a apuração, os investimentos não foram retirados pela Diretoria Financeira da companhia.
Decisões concentradas
Os auditores também concluíram que as operações envolvendo os investimentos teriam sido conduzidas pela Diretoria Financeira sem que informações fossem compartilhadas com outras diretorias e instâncias de governança da empresa.
À época dos fatos, a diretoria era comandada por Antônio Carlos dos Santos, apontado no relatório como responsável, junto a assessores diretos, por atos preparatórios que permitiram a realização das aplicações.
A investigação identificou ainda reuniões realizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo entre integrantes da companhia e representantes da alta administração do Banco Master.
Entre os encontros citados está uma reunião realizada na sede da Cedae com Maurício Quadrado, então sócio e co-CEO da instituição financeira.
Mudança em critérios de investimento
Outro ponto destacado pela auditoria envolve a alteração das exigências relacionadas ao rating mínimo para investimentos da companhia.
Segundo o documento, a mudança teria ocorrido após o recebimento de um e-mail enviado por Sandra Cabral Rullo, funcionária do Banco Master. A adequação às políticas de investimento foi posteriormente validada por integrantes da área financeira da estatal.
A auditoria aponta que essa alteração permitiu o enquadramento dos investimentos realizados na instituição.
Investigação será aprofundada
O relatório final recomendou o aprofundamento das apurações envolvendo o ex-diretor financeiro Antônio Carlos dos Santos e os assessores Hedmiltom Cardoso Mourão, Magno Neves e Mauro Luís Rodrigues Marques.
Além disso, o presidente da Cedae sugeriu que o documento seja compartilhado com o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE).





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