O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) — conhecido como “inflação do aluguel” — acelerou com força em setembro e registrou alta de 1,57%, depois de ter recuado 0,22% em agosto. Com o resultado, o indicador acumula avanço de 3,45% desde o início do ano e de 3,34% nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
A inflação medida pelo índice também está em ritmo superior ao observado há um ano. Em setembro de 2025, o IGP-M havia avançado 0,42% no mês e acumulava alta de 2,82% em 12 meses.
Mais do que a variação mensal, a FGV chama atenção para a disseminação das pressões entre diferentes componentes do indicador. Tanto os preços ao produtor quanto os custos para o consumidor voltaram a subir.
“O resultado de setembro chama atenção menos pelo 1,57% do IGP-M isoladamente e mais pela mudança na composição da inflação. Depois de registrar queda em agosto, o índice volta ao terreno positivo com pressões simultâneas no produtor e no consumidor. No IPA, as matérias-primas brutas avançaram 3,61%, com destaque para soja, milho e carne bovina, enquanto, no consumidor, o fim do efeito do Bônus de Itaipu sobre a conta de energia ajudou a levar o IPC de uma queda de 0,41% em agosto para uma alta de 0,50% em setembro. É uma configuração que merece atenção porque a pressão não ficou concentrada em apenas um componente do IGP-M”, afirma Matheus Dias, economista do FGV IBRE.
Preços ao produtor avançam 2,08%
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), componente de maior peso do IGP-M, foi o principal responsável pela aceleração. O indicador avançou 2,08% em setembro, após queda de 0,34% em agosto.
A alta atingiu diferentes estágios da cadeia produtiva. Os Bens Finais passaram de recuo de 0,40% para avanço de 1,24%. Excluídos alimentos in natura e combustíveis para consumo, a taxa aumentou de 0,39% para 0,80%.
Nos Bens Intermediários, a variação saiu de queda de 1,90% em agosto para alta de 0,81% em setembro. O núcleo desse segmento, que desconsidera combustíveis e lubrificantes destinados à produção, passou de -0,23% para 0,63%.
A maior pressão, entretanto, veio das Matérias-Primas Brutas. O grupo acelerou de 0,88% para 3,61%, com destaque, segundo a FGV, para soja, milho e carne bovina.
Energia e alimentação pressionam consumidor
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também mudou de direção. Depois de cair 0,41% em agosto, avançou 0,50% em setembro. Seis das oito classes de despesas pesquisadas registraram aumento em suas taxas.
A maior mudança ocorreu em Habitação, que saiu de queda de 1,24% para alta de 1,82%. Segundo a FGV, o movimento foi influenciado pelo fim do efeito do Bônus de Itaipu sobre a conta de energia elétrica.
Alimentação também apresentou uma inversão expressiva, passando de -0,67% para 0,51%. Vestuário saiu de -1,05% para 0,22%, enquanto Comunicação passou de -0,81% para 0,21%.
Transportes variou de -0,16% para -0,08%, permanecendo em terreno negativo, enquanto Saúde e Cuidados Pessoais acelerou ligeiramente, de 0,22% para 0,26%.
Na direção contrária, Despesas Diversas desacelerou de 2,24% para 1,15%. Educação, Leitura e Recreação aprofundou a queda, passando de -0,52% para -1,22%.
Construção desacelera em setembro
Enquanto produtor e consumidor registraram aceleração, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) perdeu força. A taxa ficou em 0,25% em setembro, abaixo dos 0,85% registrados em agosto.
A desaceleração ocorreu nos três componentes. Materiais e Equipamentos passaram de 0,33% para 0,17%, enquanto Serviços recuaram de 0,33% para 0,15%.
O movimento mais expressivo ocorreu na Mão de Obra, cuja variação caiu de 1,56% em agosto para 0,37% em setembro.







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