A inadimplência das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em agosto, mesmo após o lançamento de uma nova rodada do programa federal de renegociação de dívidas. Dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Banco Central mostram que a taxa subiu de 5,8% em julho para 6% no mês seguinte.
O resultado é o maior desde março de 2011, início da série histórica do indicador, e mantém uma trajetória de deterioração das condições financeiras das famílias.
O movimento ocorre apesar dos efeitos do Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal em maio para facilitar a renegociação de débitos com condições mais favoráveis e juros menores. Diante da persistência da inadimplência, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou outra modalidade do programa, que prevê a compra de dívidas pela União.
Crédito livre também alcança máxima histórica
A situação é ainda mais delicada quando considerado apenas o crédito livre, categoria em que bancos e clientes negociam as taxas de juros sem vinculação às regras específicas do crédito direcionado.
Nesse segmento, a inadimplência das pessoas físicas passou de 7,8% em julho para 8% em agosto. O percentual também representa o maior patamar de toda a série histórica.
A inadimplência avançou igualmente nas operações de crédito direcionado, que incluem linhas sujeitas a regras específicas e, em alguns casos, taxas subsidiadas. O índice para pessoas físicas subiu de 3,4% para 3,6%, estabelecendo outro recorde.
Os números indicam que o aumento dos atrasos não está concentrado em uma única modalidade de financiamento e ocorre simultaneamente em diferentes segmentos do mercado de crédito.
Famílias comprometem quase 29% da renda com dívidas
Além da inadimplência, os indicadores do Banco Central mostram que uma parcela elevada da renda dos brasileiros continua sendo destinada ao pagamento de dívidas.
Em julho, o comprometimento de renda das famílias permaneceu em 28,7%, recorde da série histórica. Isso significa que, em média, quase três de cada dez reais da renda considerada pelo indicador estavam comprometidos com pagamentos relacionados às dívidas.
Quando os financiamentos imobiliários são retirados do cálculo, o comprometimento ficou em 26,4%, mesmo percentual registrado em junho.
Endividamento chega a 49,9%
O nível geral de endividamento das famílias também voltou a alcançar a máxima da série histórica. O indicador, que relaciona o estoque de dívidas à renda acumulada, passou de 49,7% para 49,9% em julho.
Na prática, o volume de dívidas corresponde a quase metade da renda considerada pelo Banco Central no cálculo. Sem levar em conta os financiamentos habitacionais, o endividamento ficou em 30,8%.
Os dados de endividamento e comprometimento de renda são divulgados com defasagem de dois meses. Por isso, enquanto os números de inadimplência já refletem a situação de agosto, os indicadores relacionados ao peso das dívidas sobre a renda ainda correspondem a julho.







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