Gilmar Mendes participa de ato em defesa da democracia e diz que STF não vai aceitar impeachment de ministro

Magistrado critica ameaças de impeachment e afirma que a Corte está unida após condenação de Bolsonaro

Quatro dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão no julgamento do núcleo 1 da trama golpista, o ministro Gilmar Mendes fez uma aparição surpresa em um ato realizado em São Paulo nesta segunda-feira (15), informa a CNN.

Organizado pelo Fórum Direitos Já, o evento reuniu representantes de 11 partidos e teve como foco a defesa da soberania nacional e o repúdio à proposta de anistia aos condenados pelo golpe. O movimento também busca se contrapor ao avanço de candidaturas bolsonaristas ao Senado, vistas como parte de uma estratégia para articular futuros pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Críticas às ameaças de impeachment

Durante o discurso, Gilmar Mendes foi enfático ao rejeitar qualquer tentativa de uso político do impeachment contra membros da Corte. “Não espero que o Senado venha a agir para buscar vindita em relação ao STF. Impeachment deve ser um processo regular. Se for por conta de voto de ministro, seria irregular. O STF não vai aceitar”, declarou.

O ministro ressaltou que a independência do Judiciário não pode ser submetida a interesses políticos. Para ele, a recente tentativa de pressionar o Tribunal durante o julgamento da trama golpista foi um exemplo claro de ameaça à democracia.

“É fundamental que se faça esse movimento em defesa da democracia e da soberania nacional. Nós vimos o quão ameaçada ela ficou nesse contexto, no qual exigiram que se interrompesse um julgamento em nome de interesses políticos estranhos”, afirmou.

Defesa da soberania e união do STF

Gilmar Mendes destacou ainda a importância de preservar a soberania brasileira diante de pressões externas. Ele ironizou negociações comerciais internacionais, exemplificando: “Seria um absurdo que, numa pauta de negociação comercial, o Brasil, por exemplo, exigisse que os Estados Unidos revelassem os ‘Epstein files’.”

Ao ser questionado pela CNN sobre o simbolismo de sua presença no plenário da Primeira Turma do STF durante o julgamento, o decano reforçou que a Corte mantém unidade diante das ameaças. “Pode-se entender de várias maneiras, mas o fundamental é perceber que estamos unidos na defesa da democracia”, disse.

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