Gilmar Mendes barra reajuste automático e congela salários de deputados do Rio

Decisão do ministro Gilmar Mendes considera inconstitucional a vinculação dos salários dos deputados estaduais do Rio aos vencimentos dos federais, anulando reajustes automáticos previstos desde 2002

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu derrubar o reajuste automático dos salários dos deputados estaduais do Rio de Janeiro. A medida, determinada pelo ministro Gilmar Mendes, declarou inconstitucional o dispositivo da Lei Estadual nº 4.058/2002 que vinculava os vencimentos dos parlamentares fluminenses a 75% do valor pago aos deputados federais.

A decisão atende a uma reclamação apresentada por um advogado após a Justiça Estadual ter extinguido uma ação popular sem julgar o mérito. Segundo o relator, a vinculação automática entre diferentes cargos e entes federativos viola o artigo 37, inciso XIII, da Constituição Federal, que proíbe expressamente esse tipo de equiparação.

Em agosto, os deputados estaduais receberam R$ 34.774,64, valor calculado com base na remuneração dos parlamentares da Câmara Federal. Para o STF, esse mecanismo cria uma indexação inconstitucional, transferindo reajustes federais automaticamente ao Legislativo estadual, sem debate ou aprovação local.

Decisão reforça jurisprudência do STF

Gilmar Mendes destacou em sua decisão que o Supremo já havia considerado ilegal o mesmo tipo de vinculação em ações diretas de inconstitucionalidade que envolveram leis de Santa Catarina e Mato Grosso. Segundo o ministro, permitir que reajustes federais se reflitam automaticamente nos estados compromete o princípio federativo e a autonomia administrativa de cada ente da federação.

Com a nova decisão, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) não poderá mais aplicar aumentos automáticos com base nos reajustes dos deputados federais. Qualquer alteração salarial passará a depender de lei específica aprovada pela Casa, dentro dos limites constitucionais e orçamentários do estado.

A decisão tem repercussão direta sobre o controle dos gastos públicos e sobre a autonomia dos legislativos estaduais, servindo de precedente para outros estados que adotaram mecanismos semelhantes de equiparação.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading