O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) encerrou uma entrevista sem responder se participará da votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Questionado por jornalistas nesta segunda-feira (12), após uma missa na Catedral de Brasília, o senador deixou sem esclarecimento sua posição sobre a votação prevista para quarta-feira (14), no Senado.
Na mesma conversa, Flávio confirmou que visitará o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na manhã desta terça-feira (13). O encontro ocorrerá após mais de três meses sem contato presencial entre os dois, segundo o candidato.
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação por participação na trama golpista. A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com restrições relacionadas à divulgação de manifestações do ex-presidente.
“Vou visitá-lo na terça, na qualidade de filho e de advogado. Estou ansioso, há mais de três meses sem vê-lo por uma decisão sem nenhum amparo legal”, afirmou Flávio.
Flávio não responde sobre escala 6×1
O silêncio do presidenciável sobre a proposta trabalhista ocorreu às vésperas de uma votação considerada importante pelo governo Lula.
A PEC 221/2019, que está em análise no Senado, pretende substituir a jornada de seis dias de trabalho por um de descanso pelo modelo de cinco dias de trabalho e dois de folga.
O texto também prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários, mediante um período de transição.
A votação em primeiro turno foi marcada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para quarta-feira (14).
Durante a entrevista na Catedral de Brasília, Flávio foi questionado sobre sua posição e se participaria da votação. A conversa com os jornalistas terminou naquele momento, sem resposta do senador.
Cleitinho afirma que Flávio prometeu apoio
A ausência de uma manifestação direta ocorre depois de o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), afirmar que Flávio Bolsonaro havia assumido um compromisso de apoiar a mudança na escala de trabalho.
Na sexta-feira (9), Cleitinho declarou que conversou com o candidato do PL sobre a proposta e recebeu uma sinalização favorável.
“Flávio fez um compromisso comigo que, pautando a votação, vai votar favorável pelo fim da 6×1. Espero que ele e todos os senadores votem pelo fim da escala. Cabe à Casa adicionar emendas para compensar os empresários”, afirmou Cleitinho.
Apesar da declaração do aliado, Flávio não confirmou pessoalmente, nesta segunda-feira, se votará a favor da PEC.
O fim da escala 6×1 tornou-se um dos principais temas da disputa presidencial. Lula defende a aprovação da proposta, enquanto integrantes da oposição questionam os impactos econômicos da mudança.
Para avançar no Senado, a PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos de votação.
Visita a Bolsonaro após três meses
Além da discussão sobre a jornada de trabalho, Flávio Bolsonaro comentou a expectativa de reencontrar o pai.
O candidato criticou as restrições judiciais que impediram visitas anteriores e afirmou que deseja saber como o ex-presidente está.
“Separar o filho do pai é o mais grave. Quero saber como está o rosto dele, o ânimo dele com o que está acontecendo”, declarou.
As restrições às visitas foram impostas após Flávio divulgar um manifesto escrito por Jair Bolsonaro durante o cumprimento da prisão domiciliar.
Na nova autorização, Alexandre de Moraes estabeleceu limitações para impedir que manifestações do ex-presidente sejam utilizadas publicamente após o encontro.
Flávio afirmou que estará com o pai na condição de filho e advogado.
Missa marca agenda do candidato
As declarações foram feitas após Flávio Bolsonaro participar de uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, na Catedral Metropolitana de Brasília.
O senador, que é evangélico, compareceu à cerimônia acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e do candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL).
A participação ocorreu em meio à campanha do segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando Flávio enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao comentar a celebração religiosa, o candidato afirmou: “Está nas mãos de Deus o futuro da nação”.







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