A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência da República aprofundou as divergências internas do MDB. Duas alas da legenda preparam anúncios de apoio a candidatos adversários nesta terça-feira (13), em movimentos simultâneos que evidenciam a falta de consenso sobre o posicionamento do partido no segundo turno das eleições de 2026.
Em Brasília, dirigentes e parlamentares próximos ao presidente Lula vão se reunir para divulgar uma nota pública em defesa de sua reeleição. A mobilização surge como resposta à articulação de outra corrente emedebista, que pretende formalizar apoio a Flávio Bolsonaro em um evento na capital paulista.
A iniciativa favorável ao petista reúne principalmente diretórios estaduais do Nordeste, além de lideranças do Pará, Amazonas e Rondônia. A possibilidade de um encontro com Lula para marcar o anúncio também está sendo considerada, mas ainda não foi confirmada.
Grupo pró-Lula reúne senadores e lideranças regionais
Entre os principais integrantes da corrente favorável à reeleição presidencial está o ex-governador do Pará Helder Barbalho, eleito senador nas eleições deste ano.
Também participam da articulação os senadores reeleitos Eduardo Braga, do Amazonas; Marcelo Castro, do Piauí; e Veneziano Vital do Rêgo, da Paraíba.
O grupo inclui ainda Renan Filho e Renan Calheiros, ambos de Alagoas. Os dois disputaram as eleições deste ano, mas foram derrotados, respectivamente, nas corridas pelo governo estadual e pelo Senado.
A intenção dessas lideranças é demonstrar que o apoio a Flávio Bolsonaro não representa uma posição consensual dentro do MDB.
O manifesto previsto para terça-feira deverá formalizar o alinhamento da corrente com a candidatura de Lula e reforçar a participação de integrantes do partido na campanha presidencial.
Ala pró-Flávio prepara evento em São Paulo
Enquanto os aliados de Lula organizam a manifestação em Brasília, outro grupo do MDB trabalha para oficializar apoio ao candidato do PL.
O anúncio está previsto para ocorrer também nesta terça-feira, em São Paulo, em uma articulação liderada pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
O movimento conta com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB).
A iniciativa ganhou força depois do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro ampliou sua rede de alianças partidárias para a disputa contra Lula.
O candidato do PL recebeu o apoio da federação formada por União Brasil e Progressistas, além de Republicanos, Podemos e Novo.
Também conquistou o respaldo de três candidatos derrotados na corrida presidencial: Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Missão).
Divisão expõe dificuldades de unidade no MDB
A movimentação das duas correntes coloca em evidência as diferenças regionais e políticas existentes dentro do MDB, uma das legendas com maior presença na estrutura política nacional.
De um lado, dirigentes ligados ao governo federal defendem a continuidade da aliança com Lula. De outro, lideranças estaduais e municipais buscam aproximar o partido da candidatura de Flávio Bolsonaro.
A divergência também envolve o papel da direção nacional da legenda, comandada pelo deputado federal Baleia Rossi, que enfrenta pressões de diferentes setores sobre o posicionamento no segundo turno.
Embora as manifestações estejam sendo organizadas por integrantes do mesmo partido, os anúncios previstos para terça-feira representam decisões de correntes internas, e não necessariamente uma orientação formal e unificada do MDB.
Segundo turno intensifica disputa por alianças
A divisão ocorre em um momento de reorganização das forças políticas para a votação presidencial de 25 de outubro.
Com o apoio de partidos e candidatos que ficaram fora do segundo turno, Flávio Bolsonaro tenta ampliar sua base de sustentação. Lula, por sua vez, busca preservar alianças construídas durante o governo e reunir setores partidários favoráveis à continuidade de sua administração.
Nesse cenário, a participação de lideranças do MDB pode ter importância nas articulações regionais das duas campanhas, especialmente nos estados em que o partido mantém influência política.
A terça-feira deverá marcar um episódio incomum na disputa presidencial: integrantes de uma mesma legenda anunciando, no mesmo dia e em cidades diferentes, apoio a candidatos adversários.







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