Flávio Bolsonaro quer Moraes fora de inquérito e pede relatoria de Mendonça

Advogados alegam que ministro do STF tem ligação com avião investigado pela Polícia Federal e questionam sua imparcialidade; defesa também quer revogar medidas cautelares contra senador

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A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o afastamento do ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito que investiga a relação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz. Em três petições protocoladas nesta sexta-feira (30), os advogados também solicitaram que o caso seja transferido para André Mendonça e que as medidas cautelares impostas ao senador sejam revogadas.

A investigação da Polícia Federal apura se Flávio e Willer mantinham uma sociedade indireta para lavagem de dinheiro, inclusive por meio de uma empresa de apostas. Entre as medidas determinadas por Moraes estão o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador, a entrega do documento italiano e a proibição de contato entre os investigados.

Defesa questiona relação de Moraes com avião investigado

O principal argumento para tentar afastar Moraes é a utilização, pelo ministro, de uma aeronave que aparece na investigação da PF como possível elo entre Flávio, Willer e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A petição menciona um voo realizado em janeiro de 2025, quando Flávio, a mulher e as duas filhas viajaram com Willer de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília, em um jato Legacy 650. A aeronave pertencia à Fraction 024, sociedade que tinha Willer entre seus acionistas e cuja estrutura também envolvia a Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio.

Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, também utilizaram o mesmo avião em julho e agosto de 2025, segundo reportagens citadas pelos advogados. A defesa destaca ainda que Viviane foi contratada pelo Banco Master em um acordo de R$ 130 milhões e que a PF investiga a negociação de cotas da Fraction 024 como parte de pagamentos ao escritório dela.

“Não se afirma, evidentemente, que o Exmo. Min. Relator tenha agido ou vá agir movido por esse interesse”, afirma a petição. Para os advogados, entretanto, a investigação pode alcançar fatos relacionados ao próprio ministro e à esfera jurídica de sua esposa.

Advogados contestam medidas cautelares

A defesa também questiona a decisão de Moraes de impor restrições ao senador na noite da eleição presidencial de 25 de outubro, sem manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República. Os advogados afirmam que o risco de fuga não poderia ser fundamentado em declarações de terceiros ou no discurso de Flávio depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A argumentação, porém, não menciona que o senador deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina na terça-feira (27), depois de não entregar os documentos determinados pelo ministro.

Os advogados alegam ainda que o Santander negou que Flávio fosse usuário master das contas de uma das empresas de Willer.

André Mendonça é apontado como relator competente

Outro pedido da defesa é a redistribuição do inquérito para André Mendonça. Segundo os advogados, a investigação sobre Flávio seria um desdobramento da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS e tem Mendonça como relator no Supremo.

A defesa sustenta que as duas apurações envolvem Willer Tomaz e sua rede de empresas, razão pela qual os procedimentos deveriam ficar sob a responsabilidade do mesmo ministro.

Caso Moraes não seja considerado impedido, os advogados pedem, alternativamente, o reconhecimento de sua suspeição. A defesa também solicita a revogação das medidas cautelares, inclusive se o processo for transferido para outro integrante do STF.

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