O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, figura entre os parlamentares que mais deixaram de registrar voto em deliberações nominais do Senado Federal em 2026. Levantamento baseado nos registros oficiais da Casa mostra que o senador não participou de 43% das 49 votações nominais realizadas até 22 de junho, percentual que o coloca empatado com outros quatro parlamentares na quinta posição do ranking de ausências.
O estudo considera exclusivamente as votações nominais, modalidade em que cada senador precisa registrar individualmente seu voto. Ficaram de fora as votações simbólicas, nas quais não é possível identificar o posicionamento individual dos parlamentares nem confirmar sua presença em plenário ou nas sessões semipresenciais.
Também não foram contabilizadas ausências oficialmente justificadas por motivos como licença médica, missões oficiais, licença-paternidade, atividades políticas autorizadas ou outras hipóteses previstas pelo Senado.
Equipe rebate levantamento
Em resposta aos dados, Flávio Bolsonaro afirmou que a reportagem “distorce o funcionamento da atividade parlamentar e induz o leitor ao erro”. Segundo a equipe do senador, deixar de registrar voto em determinada matéria não significa ausência de trabalho parlamentar.
“Tanto é assim que Flávio Bolsonaro teve apenas uma falta em 2025 e três em 2026: uma delas para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando trabalhou pela classificação de CV e PCC como narcoterroristas”, diz a nota.
A assessoria também ressaltou que o senador, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, “exerce seu mandato de forma ativa e comprometida, dentro e fora do Congresso Nacional”.
Ainda de acordo com a equipe, Flávio recebeu o prêmio Excelência Parlamentar em 2023, 2024 e 2025, concedido pelo Ranking dos Políticos, “além de figurar entre os melhores senadores do Rio de Janeiro e do Senado Federal”.
Ausências ocorreram em diferentes matérias
Entre as votações em que Flávio Bolsonaro registrou presença, mas não computou voto, estão a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria a Política Nacional de Apoio à Atividade de Transporte Rodoviário Profissional e o projeto de lei complementar que promoveu adequações orçamentárias em razão da nova licença-paternidade.
O senador também deixou de votar no projeto que autoriza a utilização de recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) para formação e capacitação permanente de servidores do sistema penitenciário e policiais penais.
Além disso, esteve ausente na sessão que aprovou indicações de autoridades, entre elas a do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, e também não participou da votação que aprovou a isenção de Imposto de Renda e de outros tributos federais para entidades filantrópicas.
Desde que foi anunciado como pré-candidato à Presidência pelo PL, em dezembro do ano passado, Flávio Bolsonaro intensificou a agenda política. O senador realizou viagens aos Estados Unidos, percorreu diferentes estados brasileiros em encontros com aliados e apoiadores e participa da articulação para formação de palanques regionais. Também planeja uma visita à Argentina para se reunir com o presidente Javier Milei.
Média do Senado e ranking de ausências
Segundo o levantamento, a média de ausência de registro de voto entre os 81 senadores é de 20% nas deliberações nominais realizadas neste ano. Entre 24 de fevereiro e 16 de junho ocorreram votações nominais em 14 sessões do Senado.
O parlamentar com maior índice de ausência foi Romário (PL-RJ), que deixou de registrar voto em 20 das 38 votações nas quais ocupava a titularidade do mandato, equivalente a 53%.
Na sequência aparece Wilder Moraes (PL-GO), com 49% de ausência nas votações nominais. Angelo Coronel (Republicanos-BA) e Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) dividem a terceira colocação, ambos com 47%.
Flávio Bolsonaro integra o grupo empatado na quinta posição, ao lado de Cleitinho (Republicanos-MG), Eduardo Gomes (PL-TO), Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO) e Wellington Fagundes (PL-MT), todos com índice de 43%.
O ranking dos dez parlamentares que mais deixaram de registrar voto é completado por Renan Calheiros (MDB-AL), ausente em 41% das deliberações nominais realizadas até junho.
Parlamentares apresentam justificativas
Os senadores citados no levantamento apresentaram diferentes explicações para os índices registrados.
O gabinete de Romário afirmou que, diferentemente dos dados apresentados, o senador teve apenas duas faltas. “Em uma ele registrou e não votou, pois voltou pro estado (15/04), e em outra ele estava fora do país (20/05)”, informou a assessoria.
A equipe da senadora Professora Dorinha Seabra afirmou que “as votações mencionadas ocorreram em dias nos quais a senadora cumpria agenda institucional previamente agendada, tanto em Brasília quanto no Tocantins”.
A nota acrescenta: “A atuação parlamentar vai muito além das votações em plenário. O mandato também é exercido por meio da articulação de políticas públicas, atendimento aos municípios, reuniões institucionais, atividades que a senadora desempenha diariamente”.
Já Angelo Coronel afirmou que todas as ausências foram oficialmente justificadas e comunicadas à Mesa Diretora do Senado. Segundo sua equipe, o parlamentar participou de todas as votações de PECs e projetos de lei, deixando de votar apenas em indicações de autoridades.
Wellington Fagundes informou, por meio da assessoria, que “mantém uma atuação parlamentar intensa, com apresentação e relatoria de projetos, participação em comissões, audiências públicas e agendas institucionais”. O senador também destacou as atribuições exercidas como presidente da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (Frenlogi) e líder do bloco formado por PL e Novo.
O gabinete de Cleitinho afirmou que o senador esteve presente em todos os 177 projetos apreciados até maio, considerando também as votações simbólicas. Segundo a assessoria, nos dias em que deixou de registrar voto, o parlamentar recebia prefeitos e vereadores de Minas Gerais em seu gabinete durante as marchas municipalistas realizadas em Brasília.
As equipes de Renan Calheiros, Wilder Moraes e Eduardo Gomes não responderam aos questionamentos até a publicação do levantamento. Oriovisto Guimarães informou que não comentaria os dados.







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