O diretório estadual do Psol no Rio divulgou uma nota no início da noite desta quinta-feira (13) para explicar a decisão de reduzir em 30% o tempo de televisão destinado à campanha do deputado estadual Yuri Moura. A manifestação ocorre um dia depois de o parlamentar acusar publicamente a legenda de perseguição interna e contestar a punição.
Moura levou a disputa para a instância nacional do partido. O deputado apresentou recurso à direção nacional do Psol para tentar reverter a medida e recuperar integralmente seu espaço na propaganda eleitoral. A controvérsia expõe uma divergência sobre os limites das alianças e da participação de integrantes da legenda em eventos com políticos de outros partidos.
Psol atribui punição a aproximações políticas
Na nota, o diretório estadual afirma que a redução do tempo de TV foi motivada pelo que considera uma reincidência de Moura em aproximações com integrantes da direita fluminense.
A direção cita especificamente a presença recente do deputado em um palanque com Júlio Canelinha, candidato a deputado federal pelo PSD, além de Eduardo Paes e Pedro Paulo. Segundo o partido, Canelinha foi aliado de Rodrigo Bacellar e teve passagens pelo governo Michel Temer e pela gestão de Cláudio Castro.
“A redução no tempo de propaganda eleitoral do parlamentar é uma resposta direta a essas condutas”, afirma o Psol.
O partido também sustenta que a movimentação política de Moura prejudica a candidatura de Benedita da Silva. As afirmações fazem parte da posição oficial do diretório estadual e são contestadas pelo deputado em seu recurso à direção nacional.
Apoio a Lula, mas com ressalvas
Outro ponto da nota trata da participação do Psol na campanha pela reeleição do presidente Lula. O diretório afirma que integra a base de apoio ao petista, mas argumenta que isso não significa aceitar alianças com todos os partidos e políticos que também estejam no mesmo campo eleitoral.
“Compor essa frente não significa se confundir com todas as forças que ali circulam, tampouco legitimar articulações com a direita tradicional”, diz o texto.
A legenda afirma que estará no palanque de Lula, mas ressalta que não pretende usar essa participação para justificar aproximações com políticos que classifica como de direita.
“O PSOL vai, sim, subir no palanque de Lula”, afirma a direção estadual, acrescentando que sua prioridade é contribuir para a reeleição do presidente.
Partido defende estratégia própria no Rio
Na manifestação, o diretório também reafirma as candidaturas que considera prioritárias no estado. Cita William Siri na disputa pelo governo do Rio e Mônica Benício e Benedita da Silva para o Senado, além da campanha presidencial de Lula.
O partido sustenta que pretende ampliar suas bancadas estadual e federal e apoiar candidaturas alinhadas às suas diretrizes políticas.
“O PSOL não faz acenos à direita em nenhuma região onde constrói suas bases, pois não se constrói um partido de esquerda no interior confraternizando com oligarquias locais”, afirma a nota.
Yuri tenta reverter corte na direção nacional
A versão apresentada pelo diretório estadual diverge dos argumentos levados por Yuri Moura à Executiva Nacional. Em seu recurso, o parlamentar contesta a proporcionalidade da redução de 30% e questiona o procedimento adotado para a aplicação da medida.
A defesa de Moura sustenta ainda que sua participação em atividades com políticos de outras legendas estaria relacionada à tentativa de ampliar a campanha de Lula no interior do Rio. Também argumenta que não houve pedido de votos nem declaração de apoio a uma candidatura adversária do Psol.
Com a apresentação do recurso e a divulgação da nota do diretório fluminense, a disputa interna passa a depender também da avaliação da direção nacional, que poderá decidir se mantém ou reverte a redução do tempo de televisão do deputado.







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