Novo pedido de vista volta a adiar decisão do TRE-RJ sobre denúncia contra Crivella no ‘QG da Propina’

Presidente do Tribunal pede mais tempo para analisar o processo quando julgamento estava empatado em 3 a 3; deputado e pré-candidato ao Senado nega as acusações.

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O julgamento que pode definir o futuro da denúncia contra o deputado federal e ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) voltou a ser interrompido no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Quando o placar chegou a 3 votos pela rejeição e 3 pelo recebimento da denúncia, o presidente da Corte, desembargador Claudio de Mello Tavares, pediu vista do processo nesta quinta-feira (13), adiando mais uma vez a conclusão do caso que investiga um suposto esquema de corrupção na Prefeitura do Rio.

Com o empate, caberia justamente ao presidente do TRE-RJ proferir o voto de desempate. No entanto, ao solicitar mais tempo para analisar os autos, a definição sobre o recebimento ou não da denúncia foi adiada pela terceira vez.

Voto de Paulo Cesar Salomão Filho mudou o placar

A retomada do julgamento ocorreu após o desembargador Paulo Cesar Salomão Filho devolver o processo, que estava sob sua análise desde o pedido de vista feito na sessão de 23 de julho.

Ao apresentar seu voto, Salomão Filho acompanhou a corrente favorável ao recebimento da denúncia.

“O prosseguimento da ação deve prosperar”, afirmou o magistrado durante a sessão.

O voto levou o placar para 3 a 3, obrigando o presidente da Corte a decidir o desfecho do julgamento. No entanto, Claudio de Mello Tavares optou por pedir vista do processo antes de votar.

Julgamento já havia sido interrompido duas vezes

Esta é a terceira vez que um pedido de vista interrompe o julgamento da denúncia.

Em junho, o desembargador Guilherme Calmon solicitou mais tempo para analisar o caso antes de apresentar seu voto.

Na sessão de 23 de julho, após Calmon votar pelo recebimento da denúncia e deixar o placar em 2 a 2, foi a vez de Paulo Cesar Salomão Filho pedir vista, suspendendo novamente a análise.

Agora, após o voto de Salomão Filho e o novo empate, o pedido de vista do presidente do TRE-RJ adia mais uma vez a conclusão do julgamento.

Como ficou a votação

Até a suspensão da sessão, o placar estava dividido:

Pela rejeição da denúncia:

  • Manoela Dourado (relatora);
  • Fernando Cerqueira Chagas;
  • um terceiro desembargador que acompanhou a relatora.

Pelo recebimento da denúncia:

  • Guilherme Calmon;
  • Sylvia Hausen;
  • Paulo Cesar Salomão Filho.

A decisão final ficará para uma próxima sessão do TRE-RJ, quando o presidente da Corte deverá apresentar seu voto.

Entenda o caso “QG da Propina”

A denúncia trata de uma investigação sobre um suposto esquema de corrupção instalado na Prefeitura do Rio durante a gestão de Marcelo Crivella.

Segundo o Ministério Público, empresários pagariam propina para obter vantagens em contratos públicos firmados com a administração municipal.

Um dos principais contratos investigados envolve cerca de R$ 789 milhões entre o Previ-Rio, instituto de previdência dos servidores municipais, e o grupo Assim Saúde.

De acordo com a acusação, a licitação teria sido direcionada para beneficiar a empresa vencedora. Em troca, teria sido acertado o pagamento de propina equivalente a 3% do valor dos contratos, por meio de empresas de fachada, contratos fictícios e notas fiscais falsas para ocultar os pagamentos.

O Ministério Público afirma que o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 32 milhões, cuja devolução aos cofres públicos foi pedida à Justiça.

Caso também é analisado pela Justiça comum

Além da ação em análise no TRE-RJ, Marcelo Crivella responde a outro processo na Justiça comum.

Em dezembro de 2025, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou o ex-prefeito e outras dez pessoas por improbidade administrativa. Na ação, os promotores sustentam que o esquema teria sido organizado de forma planejada e coordenada, apontando Crivella e o empresário Rafael Alves como principais articuladores.

Ainda segundo a acusação, após vencer a licitação, o grupo Assim Saúde teria contratado empresas de fachada indicadas pelos investigados para simular serviços que não teriam sido prestados e desviar recursos públicos.

Crivella e Rafael Alves chegaram a ser presos durante a operação “QG da Propina”, realizada no fim de 2020. Ambos negam todas as acusações.

A defesa do deputado federal afirma que não existem provas que sustentem as denúncias e pede o arquivamento da ação.

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