Pessoas, empresas e instituições no Brasil com supostas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) podem ser alvo de uma nova rodada de sanções dos Estados Unidos nas próximas semanas, informa a Folha de S. Paulo. Segundo autoridades que acompanham as investigações, órgãos estadunidenses intensificaram o rastreamento das redes financeiras relacionadas às duas facções.
O trabalho envolve estruturas do Departamento do Tesouro, do Departamento de Justiça e do FBI. O objetivo é identificar a origem e o destino de recursos associados aos grupos criminosos que circulam pelo sistema financeiro dos EUA e, a partir dessas informações, mapear eventuais conexões com pessoas e organizações no Brasil.
As apurações podem alcançar indivíduos, empresas ou instituições cujos integrantes sejam identificados pelas autoridades estadunidenses como ligados às facções. Até o momento, porém, o governo dos Estados Unidos não divulgou oficialmente os nomes de eventuais novos alvos nem confirmou quando novas sanções poderão ser anunciadas.
EUA ampliam cerco financeiro ao PCC
A ofensiva dos EUA contra as estruturas financeiras do PCC já produziu sanções neste ano. Em 1º de julho, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), ligado ao Departamento do Tesouro, anunciou medidas contra dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma companhia portuguesa.
Segundo o Tesouro dos EUA, os alvos integrariam uma rede utilizada para lavar recursos relacionados ao PCC. A investigação contou com a participação do FBI e do Departamento de Justiça e identificou operações entre a Flórida e São Paulo.
Na ocasião, o governo estadunidense afirmou que integrantes da estrutura investigada teriam movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diferentes cidades dos Estados Unidos, inclusive por meio de criptomoedas.
As medidas adotadas pelo Ofac podem resultar no bloqueio de bens e interesses patrimoniais existentes nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos e empresas do país. Também podem restringir determinadas transações com os sancionados.
Casa Branca aumenta pressão sobre o Brasil
O movimento ocorre em meio ao aumento das cobranças do governo de Donald Trump sobre a atuação brasileira contra o crime organizado transnacional.
Em documento enviado ao Congresso dos EUA na terça-feira (15), a administração Trump afirmou que PCC e CV “transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína” e representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacionais.
O governo dos EUA também declarou que o Brasil precisa adotar “medidas agressivas” para enfrentar os grupos criminosos.
No primeiro semestre, Washington incluiu PCC e CV em categoriasdos EUA ligadas ao terrorismo, ampliando os instrumentos jurídicos e financeiros disponíveis para atingir integrantes, financiadores e estruturas de apoio atribuídas às organizações.
A movimentação estadunidense ocorre durante a campanha eleitoral brasileira. O então senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente candidato à Presidência, reuniu-se neste ano com Trump e integrantes do governo dos Estados Unidos, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente J. D. Vance.
Brasil rebate acusações dos EUA
Em nota divulgada na quarta-feira (16), a pasta refutou a existência de falhas ou omissões brasileiras no enfrentamento às organizações criminosas transnacionais.
O ministério citou, entre outras medidas, a Lei Antifacção, sancionada em março, e o Programa Brasil contra o Crime Organizado. Também destacou operações realizadas por forças federais contra tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e outras atividades atribuídas a organizações criminosas.
A pasta afirmou ainda que continuará atuando “de forma soberana e coordenada” no enfrentamento às facções.
Nesta semana, as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado realizaram uma operação nacional em diferentes estados. Segundo o Ministério da Justiça, a mobilização resultou em 137 prisões e 173 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios e apreensões de bens que chegaram a aproximadamente R$ 510 milhões.
Investigações brasileiras também miram infiltração econômica
Além das operações diretamente relacionadas ao tráfico, autoridades brasileiras têm investigado suspeitas de participação de organizações criminosas em atividades econômicas formais.
Segundo a investigação, 12 das 22 empresas que operam o sistema seriam, em tese, controladas pelo PCC. A Justiça autorizou 16 prisões temporárias.
Entre os alvos estava Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, preso na sexta-feira (18). Ele é apontado na investigação como ligado à operação de empresas que, segundo os investigadores, teriam vínculos com o PCC. O candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira foram presos nesta quinta-feira (17) na mesma operação.
Todos negam as acusações e afirmam não ter ligação com a facção.







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