EUA preparam novas sanções contra alvos no Brasil ligados a PCC e Comando Vermelho

Investigações estadunidenses rastreiam movimentações financeiras das facções e podem atingir pessoas, empresas e instituições; governo brasileiro rebate críticas de Washington

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Pessoas, empresas e instituições no Brasil com supostas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) podem ser alvo de uma nova rodada de sanções dos Estados Unidos nas próximas semanas, informa a Folha de S. Paulo. Segundo autoridades que acompanham as investigações, órgãos estadunidenses intensificaram o rastreamento das redes financeiras relacionadas às duas facções.

O trabalho envolve estruturas do Departamento do Tesouro, do Departamento de Justiça e do FBI. O objetivo é identificar a origem e o destino de recursos associados aos grupos criminosos que circulam pelo sistema financeiro dos EUA e, a partir dessas informações, mapear eventuais conexões com pessoas e organizações no Brasil.

As apurações podem alcançar indivíduos, empresas ou instituições cujos integrantes sejam identificados pelas autoridades estadunidenses como ligados às facções. Até o momento, porém, o governo dos Estados Unidos não divulgou oficialmente os nomes de eventuais novos alvos nem confirmou quando novas sanções poderão ser anunciadas.

EUA ampliam cerco financeiro ao PCC

A ofensiva dos EUA contra as estruturas financeiras do PCC já produziu sanções neste ano. Em 1º de julho, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), ligado ao Departamento do Tesouro, anunciou medidas contra dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma companhia portuguesa.

Segundo o Tesouro dos EUA, os alvos integrariam uma rede utilizada para lavar recursos relacionados ao PCC. A investigação contou com a participação do FBI e do Departamento de Justiça e identificou operações entre a Flórida e São Paulo.

Na ocasião, o governo estadunidense afirmou que integrantes da estrutura investigada teriam movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diferentes cidades dos Estados Unidos, inclusive por meio de criptomoedas.

As medidas adotadas pelo Ofac podem resultar no bloqueio de bens e interesses patrimoniais existentes nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos e empresas do país. Também podem restringir determinadas transações com os sancionados.

Casa Branca aumenta pressão sobre o Brasil

O movimento ocorre em meio ao aumento das cobranças do governo de Donald Trump sobre a atuação brasileira contra o crime organizado transnacional.

Em documento enviado ao Congresso dos EUA na terça-feira (15), a administração Trump afirmou que PCC e CV “transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína” e representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacionais.

O governo dos EUA também declarou que o Brasil precisa adotar “medidas agressivas” para enfrentar os grupos criminosos.

No primeiro semestre, Washington incluiu PCC e CV em categoriasdos EUA ligadas ao terrorismo, ampliando os instrumentos jurídicos e financeiros disponíveis para atingir integrantes, financiadores e estruturas de apoio atribuídas às organizações.

A movimentação estadunidense ocorre durante a campanha eleitoral brasileira. O então senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente candidato à Presidência, reuniu-se neste ano com Trump e integrantes do governo dos Estados Unidos, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente J. D. Vance.

Brasil rebate acusações dos EUA

O Ministério da Justiça e Segurança Pública reagiu às críticas de Washington e afirmou que o governo dos EUA desconsidera ações adotadas pelo Brasil contra o crime organizado.

Em nota divulgada na quarta-feira (16), a pasta refutou a existência de falhas ou omissões brasileiras no enfrentamento às organizações criminosas transnacionais.

O ministério citou, entre outras medidas, a Lei Antifacção, sancionada em março, e o Programa Brasil contra o Crime Organizado. Também destacou operações realizadas por forças federais contra tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e outras atividades atribuídas a organizações criminosas.

A pasta afirmou ainda que continuará atuando “de forma soberana e coordenada” no enfrentamento às facções.

Nesta semana, as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado realizaram uma operação nacional em diferentes estados. Segundo o Ministério da Justiça, a mobilização resultou em 137 prisões e 173 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios e apreensões de bens que chegaram a aproximadamente R$ 510 milhões.

Investigações brasileiras também miram infiltração econômica

Além das operações diretamente relacionadas ao tráfico, autoridades brasileiras têm investigado suspeitas de participação de organizações criminosas em atividades econômicas formais.

Na quinta-feira (17), a Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, investigou suspeitas envolvendo empresas do transporte coletivo da capital paulista.

Segundo a investigação, 12 das 22 empresas que operam o sistema seriam, em tese, controladas pelo PCC. A Justiça autorizou 16 prisões temporárias.

Entre os alvos estava Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, preso na sexta-feira (18). Ele é apontado na investigação como ligado à operação de empresas que, segundo os investigadores, teriam vínculos com o PCC. O candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira foram presos nesta quinta-feira (17) na mesma operação.

Todos negam as acusações e afirmam não ter ligação com a facção.

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