O eleitor fluminense vai às urnas neste domingo (4) para escolher, entre outros cargos, quem comandará o Estado do Rio de Janeiro pelos próximos quatro anos. Ao longo dos últimos meses, Agenda do Poder produziu uma série de reportagens especiais sobre os principais desafios do estado, passando por temas como segurança pública, saúde, transporte, educação e questões climáticas. Agora, no dia da votação, chegou o momento de colocar os candidatos no centro da discussão.
Para isso, a mesma pergunta foi feita aos postulantes ao governo do Rio:
Se eleito(a), qual seria sua primeira medida como governador(a)?
Os candidatos foram convidados a apresentar a prioridade que adotariam no início de uma eventual gestão e, quando possível, explicar como pretendem colocá-la em prática.
As respostas mostram diferentes focos para os primeiros momentos de governo. Entre as propostas apresentadas estão a criação de conselhos populares, a ocupação de territórios dominados pelo crime organizado, mudanças na gestão dos trens, o enfrentamento à criminalidade, a reestatização da Cedae e medidas na área da educação.
Eduardo Paes (PSD)

“Tem um decreto que eu fiz quando assinei meu primeiro mandato em 2009, que era acabar com a aprovação automática. Porque é uma medida relativamente simples de ser feita. Se você me perguntasse qual a primeira assinatura minha, vai se acabar com a aprovação automática. Eu pretendo, assim que vencer as eleições, acertar com o governador Ricardo Couto para já no processo de transição, daí tomando algumas medidas importantes. O Estado, óbvio, tem uma urgência da segurança pública”.
Douglas Ruas (PL)

“Logo no começo do governo, vou estar ao lado do Flávio Bolsonaro declarando guerra ao crime organizado. É esse o sentimento da população do estado do Rio de Janeiro, precisa de um governo que enfrente o crime para proteger as nossas famílias”.
Anthony Garotinho (Republicanos)

“Revogar a privatização da Cedae para abaixar o preço da água. Isso que vou fazer”.
William Siri (Psol)

“Vamos priorizar o aumento da fiscalização sobre a TrensRio, verificando o cumprimento do contrato da concessão dos trens. Esse é um serviço que foi completamente sucateado ao longo das últimas décadas, com tarifas altas, longos intervalos, estações precárias, sem acessibilidade e sem banheiros.
Iremos imediatamente responsabilizar a empresa pela má qualidade do serviço, enquanto trabalhamos, em paralelo, para a reestatização dos trens que atendem à Região Metropolitana. Esse é um compromisso que tenho. O Estado pode encampar esse serviço, cuja operação anual gira em torno de 860 milhões de reais, valor que não chega a 0,7% do orçamento do Rio de Janeiro. Um serviço tão essencial para a população, não pode ficar nas mãos de empresas que só visam o lucro. Vamos fazer os trens serem do povo, proporcionando um serviço de qualidade e tarifa zero”.
Cyro Garcia (PSTU)

“Minha primeira medida seria chamar os trabalhadores e a população para governar junto, construindo conselhos populares em todo o estado. Não quero tomar decisões importantes a portas fechadas. Quero que quem vive os problemas participe das escolhas e acompanhe a execução das políticas públicas.
O Rio enfrenta problemas enormes: desemprego e trabalho precário, perda de empregos industriais, fome e pobreza, falta de moradia digna, serviços públicos insuficientes, dificuldades na saúde e na educação, transporte caro e precário, violência e desigualdades sociais profundas. Também precisamos discutir por que tanta riqueza produzida no estado não se converte em melhores condições de vida para a maioria.
Os conselhos reuniriam representantes eleitos em assembleias de bairros, sindicatos, escolas, universidades e movimentos populares. Com participação direta e mandatos revogáveis, poderiam definir prioridades, fiscalizar os serviços e cobrar respostas do governo, começando por temas urgentes como emprego, saúde, educação, moradia, transporte e segurança.
A primeira medida, portanto, seria abrir o governo à participação popular e construir esses conselhos com os trabalhadores. É assim que pretendo enfrentar os problemas do estado: ouvindo quem mais sente seus efeitos e dividindo com a população o poder de decidir os rumos do Rio”.
Coronel Busnello (Missão)

“Minha primeira medida vai ser tirar o gabinete do governador do Palácio Guanabara e levá-lo para dentro de uma favela. Essa comunidade será retomada pelo Estado. Primeiro, com as forças de segurança, para devolver o território a quem mora lá e tirá-lo das mãos do crime organizado. Mas a diferença é o que vem logo depois: a polícia não sai deixando o vazio de sempre.
Entram junto saneamento, asfalto, iluminação, escola, posto de saúde e, principalmente, o título de propriedade para cada morador. É isso que chamamos de desfavelização: transformar favela em bairro. Com CEP, com endereço, com serviço público funcionando e com gente dona da própria casa. O Rio já viu muita ocupação que chegou fardada e foi embora sem entregar nada. Eu quero mostrar que dá para fazer diferente, e a melhor forma de provar isso é o governador estar lá dentro, acompanhando de perto e respondendo pelo resultado. Essa comunidade vai ser o modelo para todas as outras”.
Juliete Pantoja (UP)
“Nossa primeira medida será acabar com os esquemas corruptos que estão embrenhados nos órgãos de governo estadual. Junto com isso, iremos convocar um novo concurso para cobrir a falta de servidor na educação e saúde”.
André Marinho (Novo) e Luan Monteiro (PCO) não retornaram até o fechamento desta reportagem.
O que o eleitor precisa saber antes de votar
O primeiro turno das Eleições 2026 acontece neste domingo (4). Caso seja necessário, o segundo turno para governador será realizado em 25 de outubro. Nos dois dias, as seções eleitorais funcionam das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Em estados com fuso diferente, o eleitor deve observar o horário local correspondente.
Para votar, é necessário apresentar um documento oficial com foto. São aceitos carteira de identidade, Carteira de Identidade Nacional (CIN), identidade social, passaporte, Carteira Nacional de Habilitação (CNH), carteira de trabalho física e carteira profissional emitida por conselho de classe. O e-Título também pode ser usado como identificação quando o aplicativo apresentar a fotografia do eleitor. Mesmo documentos oficiais com foto vencidos podem ser utilizados, desde que permitam a identificação.
O título de eleitor em papel não é obrigatório para votar. Certidões de nascimento e casamento não são aceitas como documento de identificação, assim como a carteira de trabalho digital. O e-Título também permite consultar o número do título, a situação eleitoral e o local de votação. Por isso, é recomendável conferir o aplicativo antes de sair de casa e verificar se a fotografia está disponível.
Celular não entra na cabine
Na seção eleitoral, o eleitor deve apresentar o documento à mesa receptora. Quando o procedimento estiver disponível, quem tem biometria cadastrada também poderá ser identificado pela impressão digital.
Na cabine de votação, porém, não é permitido levar celular, câmera, filmadora ou outro equipamento eletrônico que possa comprometer o sigilo do voto. O aparelho deve ser desligado e entregue à mesa receptora antes de o eleitor entrar na cabine.
A chamada “colinha eleitoral” pode ser levada, desde que esteja impressa. A anotação ajuda a consultar os números das candidaturas antes de digitá-los na urna.
Eleitor votará seis vezes
No primeiro turno, o eleitor fará seis escolhas, sempre nesta ordem: deputado federal, deputado estadual, primeiro senador, segundo senador, governador e presidente da República. Como haverá duas vagas para o Senado, será necessário votar duas vezes para senador e escolher candidatos diferentes.
O número de deputado federal tem quatro dígitos. Para deputado estadual, são cinco. Os candidatos ao Senado aparecem com três dígitos, enquanto governador e presidente são identificados por dois dígitos.
Antes da confirmação, a urna apresenta o nome, a fotografia, o cargo e a sigla partidária. O eleitor deve conferir os dados antes de apertar a tecla ‘confirma’.
Para votar em branco, basta apertar a tecla ‘Branco’ e depois ‘Confirma’. Para anular, o eleitor deve digitar um número que não corresponda a nenhuma candidatura e confirmar. Votos brancos e nulos não são considerados votos válidos e não são contabilizados para nenhum candidato ou partido.






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