O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro de 2025 sob suspeita de ser um dos líderes do esquema de desvios de aposentadorias do INSS, confessou a existência de fraudes e assinou acordo de delação premiada com a Polícia Federal. É a primeira delação da Operação Sem Desconto, que apura prejuízos bilionários aos pensionistas.
A PF já colheu os depoimentos de Camisotti e encaminhou o acordo ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que analisa os termos para dar validade jurídica à colaboração. A expectativa do empresário é obter prisão domiciliar após a homologação.
Como funcionava o esquema
Camisotti comandava associações de aposentados que firmaram acordos com o INSS para realizar descontos diretamente nas folhas de pagamento. Na delação, ele detalhou a sistemática das fraudes, envolvendo a inclusão de nomes de aposentados e descontos indevidos de aposentadorias.
O esquema causou prejuízos bilionários aos segurados do INSS, segundo investigações da PF e do Ministério Público Federal.
Outras delações em negociação
Além de Camisotti, outros acordos de colaboração estão sob negociação com a Polícia Federal. O ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, preso em novembro, também negocia uma delação. Sua mulher, a médica Thaísa Hoffmann, havia sido presa, mas foi solta por André Mendonça por questões humanitárias, já que tem um filho de apenas um ano de idade. Essa liberdade concedida à esposa pressionou Virgílio no caminho de um acordo de colaboração.
O ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidélis, preso desde novembro, também já procurou os investigadores para conversar sobre um acordo de delação, mas as tratativas ainda estão em estágio inicial. Seu filho, o advogado Eric Fidélis, foi preso no mês seguinte ao pai, em dezembro.
Camisotti aponta crimes de políticos
De acordo com fontes com conhecimento do caso, Camisotti também relatou suspeitas de crimes envolvendo a atuação de dirigentes do INSS e de políticos. O teor dos depoimentos está mantido sob sigilo e deve ser usado para abrir novas fases da Operação Sem Desconto.
Lulinha fora da delação
O nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não deve aparecer na delação de Camisotti, segundo apurações.
O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), chegou a propor o indiciamento de Lulinha por conta de seu envolvimento com outro empresário: Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS.
A defesa de Lulinha admitiu ao STF que ele teve uma viagem a Portugal bancada pelo empresário, mas negou ter firmado negócios ou recebido valores de Antônio Camilo.
A Operação Sem Desconto promete novas fases após a homologação da delação de Camisotti, que pode desencadear uma série de colaborações e ampliar o alcance das investigações sobre o maior esquema de desvios do INSS já descoberto no país.






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