Após receber Medalha Pedro Ernesto, Pagode da Tia Doca é reconhecido como patrimônio do Rio

Vereadores derrubaram veto da prefeitura e garantiram reconhecimento ao tradicional reduto do samba em Madureira; texto segue para promulgação da Câmara

A Câmara do Rio derrubou, nesta quinta-feira (18), o veto da prefeitura ao projeto que reconhece o tradicional Pagode da Tia Doca, em Madureira, como patrimônio histórico e cultural de natureza imaterial da cidade. O texto segue para promulgação do presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD), e o espaço passará a integrar oficialmente o conjunto de bens culturais protegidos pelo município.

A proposta é de autoria do vereador Leonel de Esquerda (PT), que, há poucos dias, concedeu ao local a Medalha Pedro Ernesto, principal honraria do Legislativo carioca.

Localizado em Madureira, o Pagode da Tia Doca é considerado um dos mais tradicionais redutos do samba no subúrbio carioca. Fundado na década de 1970 por Tia Doca da Portela, o pagode atravessou gerações preservando rodas de samba, reunindo artistas e frequentadores e mantendo viva uma tradição ligada à cultura popular.

Pelo espaço passaram nomes históricos como Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Casquinha, Alcaide, Dudu Nobre e Zeca Pagodinho.

“É indiscutível sua relevância para a cultura popular. Além de gerar empregos, esta instituição do samba fomenta a cultura popular como poucos locais fazem”, destaca Leonel na justificativa da proposta.

Pagode da Tia Doca já é reconhecido como patrimônio estadual

A derrubada do veto representa mais um reconhecimento institucional do espaço. Em 2024, o Pagode da Tia Doca já havia sido declarado patrimônio cultural imaterial do Estado do Rio por meio de uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa (Alerj) e sancionada pelo governo estadual.

Agora, o reconhecimento passa a valer também no âmbito municipal.

Tia Doca, que morreu em 2009, foi uma das figuras mais importantes da cultura popular de Madureira. Portelense, trabalhou como tecelã e empregada doméstica enquanto criava os três filhos e transformou o quintal de casa em um espaço de encontro e valorização da cultura afro-brasileira.

Desde a morte da baluarte, o centro cultural é administrado por seu filho, Jalmir Araújo Costa, conhecido como Nem da Tia Doca, responsável por manter viva a tradição iniciada pela sambista, cujo quintal se tornou um dos mais conhecidos redutos do samba carioca.

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