Alvo de operação da PF, Jaques Wagner diz que falou com Lula e segue na liderança do governo

Senador afirma ter recebido solidariedade de Lula após ser alvo de busca e apreensão e nega ter recebido recursos do Banco Master

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta quinta-feira (18) que permanecerá na liderança do governo no Senado, apesar de ter sido alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal na nona fase da Operação Compliance Zero. Segundo o parlamentar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em contato para prestar solidariedade e não tratou de qualquer mudança no comando da bancada governista.

“Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça que eu me retire. Não Acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema”, disse em entrevista à BandNews.

Além da permanência na liderança, Wagner afirmou que seguirá com os planos de disputar a reeleição ao Senado em 2026.

PF aponta benefícios ligados ao Banco Master

A operação desta quinta-feira investiga suspeitas de favorecimento aos interesses do Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, Wagner seria o “beneficiário central” de vantagens econômicas atribuídas a pessoas ligadas à instituição financeira.

Entre os benefícios citados pelos investigadores estão o pagamento de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, a utilização de aeronaves vinculadas ao grupo empresarial e ingressos para um camarote em um show internacional realizado em Los Angeles, com custo estimado em R$ 63,3 mil.

A conexão do senador com o caso, segundo a PF, passa pelo empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e também alvo da operação. Os investigadores identificaram mensagens em que Wagner informa detalhes de um imóvel de seu interesse, incluindo a unidade e o valor do apartamento.

Senador nega recebimento de recursos

Em entrevista após a operação, o líder do governo rejeitou qualquer acusação de recebimento de dinheiro do banco ou de seus representantes.

“Nunca recebi de dinheiro de ninguém, muito menos do Master e do Augusto Lima”

Wagner também contestou a interpretação da PF sobre a negociação do imóvel em Salvador e afirmou que a operação envolvia uma futura recompra da unidade.

“Sobre o apartamento, na verdade é um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar um apartamento, ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, disse a ele: “pode comprar? Depois eu vou recomprar’.”

Suspeitas de atuação política

A investigação também cita supostos movimentos de Wagner em defesa de interesses do Banco Master. Entre eles estariam articulações junto ao governo federal relacionadas à aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB) e apoio à chamada “emenda Master”, proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A medida previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para aplicações em CDBs. A PF considera esses episódios como possíveis indícios de atuação em favor do banco.

Jaques Wagner ocupa a liderança do governo no Senado desde o início do terceiro mandato de Lula. Antes disso, exerceu funções estratégicas em governos petistas, incluindo os ministérios da Casa Civil, da Defesa e da Secretaria de Relações Institucionais.

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