Investigado por elo com o TCP, Val Ceasa movimentou R$ 13 milhões

Valor identificado em transações imobiliárias supera patrimônio declarado pelo parlamentar à Justiça Eleitoral

O deputado estadual Val Ceasa (PRD), alvo de uma operação que apura uma suposta atuação em favor do Terceiro Comando Puro (TCP), movimentou mais de R$ 13 milhões em negócios imobiliários, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O montante foi citado pelos investigadores como um dos indícios de possível incompatibilidade entre o patrimônio declarado pelo parlamentar e os valores identificados durante a apuração.

De acordo com o MPRJ, Val Ceasa informou à Justiça Eleitoral, nas eleições de 2022, possuir patrimônio superior a R$ 1 milhão. No entanto, a investigação apontou que ele e empresas ligadas ao seu nome participaram de operações imobiliárias que somam mais de R$ 13 milhões.

Entre as transações estão a construção de um galpão comercial no Espírito Santo e a aquisição de imóveis localizados nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Val Ceasa, o ex-vereador do Rio Ulisses Marins (União Brasil) e Michael Jhonny Vianna de Azevedo, ex-assessor parlamentar, são alvos da ação que apura a suposta atuação de agentes públicos em favor da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Ao todo, 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

Entenda o caso

De acordo com o Ministério Público, Val Ceasa é suspeito de manter relações com integrantes da facção criminosa. A polícia e o MP apontam que o deputado teria atuado para evitar a demolição de uma área conhecida como “resort do crime”, construída pelo chefão do TCP, Peixão, no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.

A investigação foi instaurada pela Procuradoria-Geral de Justiça após surgirem indícios de que parlamentares teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa que previa a demolição de imóveis ligados à organização criminosa em Parada de Lucas.

Segundo o MPRJ, os investigados teriam utilizado a influência dos cargos para alegar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais. As apurações, entretanto, indicam que essa justificativa não correspondia à realidade. A operação policial acabou sendo adiada.

Os mandados foram autorizados pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e são cumpridos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na Ceasa e em outros endereços localizados na capital fluminense e no Espírito Santo. As buscas seguem em andamento.

Armas e dinheiro são apreendidos

Segundo os investigadores, R$ 166 mil foram encontrados na residência do parlamentar e cerca de R$ 150 mil em outros imóveis vinculados a ele. Ao todo, a ação apreendeu R$ 341 mil em espécie.

Os agentes apreenderam ainda cinco armas, 11 aparelhos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento de dados e diversas munições. Não foi esclarecido em qual residência estavam os objetos.

No entanto, Suelen Silva dos Reis, conhecida como Suelen Bacana, ex-mulher do ex-vereador Zico Bacana que foi morto a tiros em 2023, e Michael, acabaram presos em flagrante. Os dois, que são um casal, foram detidos em Guadalupe, na Zona Norte da capital, por posse ilegal de arma de fogo.

Confira as notas

Prefeitura do Rio

Ulisses Marins foi indicado para um cargo de assistente na Secretaria Municipal de Fazenda em 2025. Em nota, a Prefeitura do Rio informou:

“O ex-vereador Ulisses de Almeida Marins não integra os quadros de servidores municipais. Os atos publicados no dia 10 de novembro de 2025 foram tornados sem efeito no dia 17 de novembro de 2025, pois a Prefeitura do Rio possui, desde 2021, um setor na Secretaria de Integridade que analisou e reprovou a sua nomeação.”

Alerj

“A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informa que acompanha a operação realizada nesta quinta-feira pelo Ministério Público. A Casa reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Alerj reitera que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense.”

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