A cinco dias da votação, uma pergunta ganha importância na reta final da campanha: as disputas pela Presidência da República e pelo governo do Rio podem terminar já no próximo domingo, 4 de outubro? A resposta é sim, desde que um dos candidatos consiga superar a metade dos votos válidos. Chegar em primeiro lugar, mesmo com ampla vantagem sobre os adversários, não é suficiente.
O cenário ganha uma dose adicional de incerteza por causa do número de eleitores que ainda não apontam um candidato quando são questionados de forma espontânea, sem receber uma lista de nomes. Esse contingente aparece tanto na corrida presidencial quanto na disputa pelo Palácio Guanabara e ajuda a mostrar quanto do voto ainda não está cristalizado às vésperas das urnas.
Presidente: espontâneas ainda mostram indecisão
Na pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (28), 31% dos entrevistados estavam indecisos na pergunta espontânea, ante 35% na rodada anterior. Lula (PT) foi citado por 31% e Flávio Bolsonaro (PL), por 27%. Outros candidatos somaram 8%, enquanto 3% declararam voto branco, nulo ou disseram que não compareceriam.
Outros levantamentos também identificaram eleitores sem candidato definido na espontânea, embora em proporções diferentes. No Datafolha divulgado na última semana, eram 18%. A BTG/Nexus registrou 9% que não sabiam ou não responderam, enquanto a Palver apontou 8%.
No Rio, 33% ainda estavam indecisos na espontânea
A indefinição também aparece com força na eleição para governador do Rio. Na pesquisa Datafolha realizada entre 22 e 24 de setembro, 33% dos eleitores não souberam apontar espontaneamente um candidato, contra 40% no levantamento anterior.
Eduardo Paes (PSD) foi citado espontaneamente por 29%, Douglas Ruas (PL), por 20%, e Anthony Garotinho (Republicanos), por 5%. William Siri (PSOL) teve 1%, outras respostas somaram 7% e brancos e nulos, 4%. O Datafolha entrevistou 1.204 eleitores em 35 municípios, com margem de erro de três pontos percentuais.
É um cenário diferente daquele encontrado quando os nomes são apresentados aos entrevistados. Na pesquisa estimulada, Paes marcou 43%, Ruas, 30%, e Garotinho, 8%. Nos votos válidos calculados pelo instituto, Paes apareceu com 48%, Ruas com 33% e Garotinho com 9%. Portanto, nesse cenário, Paes estava abaixo, mas próximo, da marca necessária para liquidar a disputa no primeiro turno.
Há, entretanto, uma variável importante. A candidatura de Garotinho foi indeferida pelo TRE-RJ, mas a decisão ainda admite recurso. Em uma simulação do Datafolha sem o nome do ex-governador, Paes registrou 46% das intenções de voto e Ruas, 31%. Quando considerados apenas os votos válidos, os percentuais calculados pelo instituto foram de 52% para Paes e 35% para Ruas.
Outro levantamento recente também mostra a disputa estadual em movimento. A Atlas/Estadão divulgada nesta terça-feira (29) registrou Paes com 44,1% e Ruas com 35,7%. Na rodada anterior, de 23 de setembro, eles tinham, respectivamente, 45,7% e 32,4%.
Como funciona a conta dos 50%
A regra é a mesma para presidente e governador. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos válidos. Na prática, significa conquistar mais de 50% dos votos destinados aos candidatos.
Se uma eleição tiver 100 milhões de votos válidos, por exemplo, serão necessários pelo menos 50.000.001 para garantir a vitória. Caso sejam registrados 90 milhões de votos válidos, a marca cairá para 45.000.001.
Votos brancos e nulos não entram nessa conta. Por isso, o número necessário para vencer não é calculado sobre o total de eleitores aptos a votar nem sobre todos aqueles que compareceram às urnas.
Também não existe vitória automática por grande vantagem sobre o segundo colocado. Se um candidato terminar com 49% dos votos válidos e seu principal adversário tiver 30%, haverá segundo turno. Os dois mais votados avançam porque ninguém ultrapassou a metade dos votos válidos.
Por que os indecisos importam
O indeciso das pesquisas não deve ser confundido com voto branco ou nulo. “Indeciso” é uma classificação usada pelos levantamentos antes da eleição. Na urna, essa categoria desaparece: o eleitor poderá escolher um candidato, votar em branco, anular ou não comparecer.
É justamente a destinação desses votos ainda não definidos que adiciona incerteza à matemática do próximo domingo. No Rio, o Datafolha encontrou 33% de indecisos na pergunta espontânea para governador. Na disputa presidencial, pesquisas espontâneas recentes também registraram parcelas relevantes de eleitores que ainda não mencionam um candidato sem a apresentação prévia dos nomes.







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