A desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado em São Paulo, anunciada nesta segunda-feira (28), ocorreu depois de sua campanha já ter contratado mais de R$ 3 milhões em despesas. Segundo o portal g1, uma parcela significativa dos recursos utilizados pelo ex-candidato teve origem no fundo eleitoral.
Dados da prestação de contas registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a campanha havia recebido R$ 4.788.500 em doações. Desse total, R$ 3.146.000 foram repassados pelo Diretório Nacional do Novo com recursos provenientes do fundo eleitoral.
Outros R$ 670 mil foram transferidos pelo diretório estadual da legenda e aparecem na prestação de contas como doações de campanha provenientes de pessoas físicas. Considerando todas as contribuições dessa natureza, as doações de pessoas físicas somaram R$ 972.500.
Material gráfico e redes sociais concentram despesas
Até 28 de setembro, a campanha de Salles registrava R$ 3.069.735,42 em despesas contratadas.
Entre os principais gastos aparecem R$ 893 mil destinados à produção de material gráfico, incluindo adesivos e os tradicionais santinhos distribuídos durante o período eleitoral.
A campanha também desembolsou R$ 400 mil com impulsionamento em redes sociais, além de outros R$ 269 mil destinados ao Facebook para a mesma finalidade.
A contratação de advogados consumiu mais R$ 250 mil. Outros R$ 140 mil foram destinados a serviços de consultoria e gestão estratégica de comunicação eleitoral, enquanto a locação de veículos representou uma despesa de R$ 139 mil.
A diferença entre os R$ 4.788.500 recebidos e os R$ 3.069.735,42 em despesas contratadas é de aproximadamente R$ 1,7 milhão.
Questionado pelo g1 sobre a possibilidade de devolução dos recursos aos doadores ou ao fundo eleitoral, Salles respondeu:
“A campanha foi feita de forma exemplar e as despesas estão todas devidamente registradas”, escreveu por meio de mensagem de Whatsapp.
Amoedo critica uso de dinheiro público
A desistência provocou críticas de João Amoedo, fundador do Novo, que questionou a atual direção da legenda e candidatos que abandonaram ou avaliam deixar disputas eleitorais.
Amoedo lembrou que uma das bandeiras adotadas pelo Novo em sua origem era justamente a rejeição ao uso de recursos públicos no financiamento das campanhas.
“O Novo foi criado com o compromisso de não utilizar dinheiro público. Em 2018, com essa promessa, batemos a cláusula de barreira, elegemos 8 deputados federais e, assim, o partido teve direito a receber R$ 100 milhões do Fundo Partidário. Agora, em 2026, a atual direção do Novo resolveu utilizar estes recursos para a campanha eleitoral, sob o pretexto de que era essencial para o crescimento do partido”, disse Amoedo.
O fundador da legenda também citou nominalmente Salles e Deltan Dallagnol ao criticar a destinação dos recursos.
“E assim a direção do NOVO, com este dinheiro dos brasileiros, fez suas 4 maiores apostas: Ricardo Salles, que desistiu da candidatura ao Senado: R$ 3,6 milhões. Deltan Dallagnol, cuja candidatura está suspensa e pode ser indeferida pelo TSE: R$ 2,9 milhões”, declarou Amoedo.

A cifra mencionada por Amoedo sobre Salles é diferente dos R$ 3,146 milhões de recursos do fundo eleitoral que aparecem nos números apresentados na prestação de contas citada na reportagem.
Procurada pelo g1 para comentar as críticas feitas pelo fundador da legenda, a direção do Novo não havia se manifestado.







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