Eleição em Honduras: favorito de Trump lidera apuração presidencial e oposição contesta

Nasry Asfura lidera por margem mínima enquanto Washington acompanha votação e oposição critica ritmo da apuração

O conservador Nasry Asfura, apoiado publicamente por Donald Trump, aparece à frente na disputa presidencial de Honduras, segundo os resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira. Com 40,5% dos votos apurados, o ex-prefeito de Tegucigalpa mantém vantagem de um ponto e meio sobre o apresentador Salvador Nasralla, candidato do Partido Liberal. A eleição, marcada por desconfiança, pressões externas e denúncias antecipadas de fraude, ocorre em um ambiente de forte polarização.

A advogada Rixi Moncada, representante do partido governista Libre, ficou mais de 20 pontos atrás dos dois primeiros colocados. Questionada antes mesmo da apuração inicial, ela havia afirmado que só reconheceria o total final das urnas, processo que pode se estender por vários dias.

Até oito horas após o fechamento das urnas, apenas 42,65% das atas haviam sido contabilizadas, alimentando o clima de incerteza sobre o resultado.

Pressão externa e ameaça de corte de ajuda

A disputa ganhou contornos internacionais após Trump ameaçar cortar a ajuda financeira dos Estados Unidos a Honduras caso Asfura, conhecido popularmente como “Papi a la orden”, não fosse eleito. A declaração elevou a apreensão no país, historicamente dependente da relação com Washington.

Nasralla, por sua vez, afirmou que acredita em uma virada. “Vai mudar”, disse o candidato da centro-esquerda. Analistas, porém, pedem cautela. “É impossível determinar o vencedor com os dados que temos”, avaliou o cientista político Carlos Cálix.

Eleições sob desconfiança e histórico de instabilidade

Cerca de 6,5 milhões de hondurenhos foram convocados a escolher o sucessor da presidente Xiomara Castro, além de deputados e prefeitos para os próximos quatro anos. Até o momento, o Conselho Nacional Eleitoral não divulgou a taxa de participação.

A tensão que marcou a campanha remete ao golpe de 2009 contra Manuel Zelaya, marido de Castro, episódio que deixou sequelas políticas profundas. O país vive sob estado de exceção parcial desde 2022, devido ao avanço da violência e da influência do narcotráfico em instituições estatais.

A missão de observadores da OEA classificou a votação como calma, apesar das denúncias prévias de possíveis irregularidades. Os Estados Unidos informaram estar acompanhando “de perto” o desenrolar das eleições.

Trump volta ao centro do debate hondurenho

Asfura e Nasralla, adversários nesta eleição, estiveram alinhados ao discurso de aproximação com Taiwan. A promessa atende ao interesse dos Estados Unidos, especialmente após Castro restabelecer relações com a China em 2023, rompendo décadas de cooperação diplomática exclusiva com Taipei.

Trump também intervém no debate doméstico ao prometer indultar Juan Orlando Hernández, ex-presidente hondurenho e aliado de longa data do Partido Nacional, condenado nos EUA a 45 anos por narcotráfico. A promessa, feita às vésperas do pleito, reacendeu discussões sobre a influência estadunidense nas disputas internas de Honduras.

Desafios econômicos e sociais moldam o futuro governo

A economia e a segurança pública, temas centrais entre os eleitores, foram pouco abordados pelos candidatos, mais preocupados em ataques mútuos. A população enfrenta índices alarmantes de pobreza e violência. “Precisamos de mais segurança. Não há emprego e as pessoas buscam oportunidades em outros países”, afirmou Francis Rodas, dona de casa de 29 anos.

Honduras depende fortemente das remessas enviadas por migrantes: elas representam 27% do PIB. Segundo Manuel Orozco, analista do Diálogo Interamericano, o maior desafio do novo governo será enfrentar o desemprego e a informalidade, hoje em cerca de 70%.

Valeria Vásquez, da Control Risks, avalia que a próxima gestão precisará reconstruir instituições enfraquecidas. O país possui forças de segurança e Ministério Público sob forte influência política, quadro que, segundo ela, exige medidas profundas de restauração institucional.

Resultado deve demorar e manter o país em alerta

Com a contagem avançando lentamente e discursos acirrados de ambos os lados, analistas estimam que a definição do vencedor pode levar dias. O país segue em compasso de espera, dividido pela disputa entre dois candidatos tradicionais e sob forte influência externa em meio a desafios estruturais profundos.

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