Encarregado de negociar a formação do próximo governo de Israel, Gadi Eisenkot abriu espaço para a participação do Likud, partido do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, e de aliados de extrema direita em uma coalizão. A condição apresentada neste domingo (8) é que o governo seja liderado por ele e siga os princípios que propôs.
O convite foi feito durante uma cerimônia no gabinete presidencial, um dia depois de o presidente Isaac Herzog indicar o ex-chefe das Forças Armadas para conduzir as negociações. As informações são da agência AFP.
“Minha porta está aberta e estendo minha mão, de todo o coração e com plena disposição, a todos que compreendem a gravidade deste momento”, afirmou Eisenkot.
Busca por maioria
As eleições legislativas de 27 de outubro terminaram sem maioria para os blocos em disputa. O Likud conquistou a maior bancada individual, com 27 cadeiras, mas o conjunto de partidos que sustenta Netanyahu ficou com 53 assentos.
Para alcançar a maioria no Knesset, o Parlamento israelense, são necessários 61 dos 120 lugares. Herzog escolheu Eisenkot por ter reunido mais indicações entre as legendas.
O líder oposicionista também recebeu apoio de partidos que representam a minoria árabe. Embora tenha descartado incluí-los formalmente na coalizão, poderá negociar sustentação externa para propostas do Executivo.
Eisenkot terá 28 dias para construir um acordo, com possibilidade de prorrogação por mais 14. Caso não consiga, o presidente poderá designar outro nome.
Governo de emergência
Ao defender uma composição ampla, Eisenkot mencionou tanto o Likud quanto o Partido Sionista Religioso, do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.
“Precisamos formar um governo de emergência nacional. Isso exigirá medidas políticas criativas e pouco convencionais”, declarou.
A proposta ocorre em meio a críticas sobre a condução das guerras na região e o isolamento internacional de Israel. Durante a campanha, a oposição concentrou seus ataques na gestão de Netanyahu e nas decisões militares do governo.
Eisenkot afirmou que até aliados próximos passaram a questionar a relação com o país. Herzog também defendeu iniciativas diplomáticas para enfrentar o cenário internacional.
De aliado a adversário
Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot, de 66 anos, ingressou na política em 2022. Ele poderá se tornar o primeiro premiê israelense oriundo da comunidade mizrahi, formada por judeus com raízes no Oriente Médio e no Norte da África.
Após os ataques do Hamas em outubro de 2023, integrou brevemente o gabinete de guerra de Netanyahu. Posteriormente, voltou à oposição e criticou a condução da campanha militar na Faixa de Gaza.
Sua família também foi diretamente atingida pelo conflito: um filho e dois sobrinhos morreram combatendo em Gaza.
Netanyahu, por sua vez, reagiu à possibilidade de apoio dos partidos árabes ao novo governo e tenta explorar as divergências entre os adversários. A formação da próxima gestão dependerá agora das negociações entre as bancadas.







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