E-mails de Epstein indicam que Trump sabia de esquema de abusos e teria passado horas com vítima, apontam democratas

Documentos divulgados por parlamentares da Câmara dos EUA nesta quarta (12) levantam novas dúvidas sobre relação entre bilionário e presidente; chefe de Estado nega envolvimento

Novos documentos divulgados nesta quarta-feira (12) pelo Congresso dos Estados Unidos trazem à tona alegações explosivas sobre a relação entre o presidente Donald Trump e o falecido financista Jeffrey Epstein, condenado por operar uma rede de tráfico sexual de menores. Em e-mails tornados públicos por parlamentares democratas — a ala opositora ao mandatário — Epstein afirma categoricamente que Trump tinha conhecimento de suas condutas e que chegou a passar “horas” com uma das vítimas em sua residência.

O material, obtido pela Comissão de Supervisão da Câmara, lança novas dúvidas sobre a extensão do vínculo entre os dois, contrariando as afirmações do republicano de que rompeu relações com o bilionário anos antes dos crimes virem à tona.

“Trump sabia das meninas”

Em uma das mensagens mais comprometedoras, datada de abril de 2011, Epstein teria escrito, segundo o material, para Ghislaine Maxwell — sua ex-namorada e cúmplice, atualmente presa — utilizando uma metáfora para descrever o silêncio de Trump.

“Quero que você perceba que o cachorro que não latiu é Trump”, teria dito Epstein. Na sequência, ele acrescentou um detalhe grave: uma vítima não identificada “passou horas na minha casa com ele… e nunca foi mencionada uma única vez”.

Em outra troca de mensagens, desta vez com o escritor Michael Wolff, Epstein discute como lidar com a imprensa sobre sua amizade com o político, que à época ganhava projeção nacional. O bilionário afirma ser “claro que ele [Trump] sabia das meninas” — referindo-se às jovens, muitas menores de idade, aliciadas pela rede.

Wolff, na ocasião, aconselhou Epstein a deixar Trump “se enforcar sozinho” com suas declarações públicas, sugerindo que o silêncio poderia gerar uma dívida de gratidão futura ou uma vantagem política.

Reação da Casa Branca

A divulgação dos e-mails gerou reação imediata do governo americano. A Casa Branca classificou o ato dos democratas como um “vazamento seletivo” desenhado para manchar a reputação do presidente. A defesa de Trump sustenta que ele não enviou nem recebeu as mensagens citadas e que os dois romperam a amizade muito antes de Trump chegar à presidência.

Em depoimentos anteriores, Ghislaine Maxwell chegou a afirmar que nunca presenciou Trump em situações inadequadas e que os encontros entre eles eram estritamente sociais.

Crise na base aliada e a “lista de clientes”

O caso Epstein tornou-se uma dor de cabeça política para Trump, inclusive dentro de sua própria base. Durante a campanha, o republicano prometeu liberar a suposta “lista de clientes” de Epstein, alimentando teorias da conspiração que mobilizam seus apoiadores do movimento MAGA (Make America Great Again).

No entanto, após assumir o cargo e com a divulgação de arquivos pelo Departamento de Justiça em fevereiro — que não trouxeram grandes novidades —, Trump mudou o discurso. O presidente passou a minimizar a existência da lista e a classificar como “idiota” quem insiste no assunto, gerando insatisfação entre eleitores que cobram transparência total.

O bilhete do “segredo maravilhoso”

Além dos e-mails, a Câmara dos EUA já havia revelado em julho outro documento controverso: uma suposta carta de aniversário enviada por Trump a Epstein. O conteúdo da carta havia sido divulgado originalmente pelo The Wall Street Journal O texto foi datilografado dentro do desenho da silhueta de uma mulher nua e trazia a assinatura “Donald”.

A mensagem terminava com a frase: “Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um maravilhoso segredo”. Embora a Casa Branca negue a autenticidade do bilhete e a autoria do desenho, veículos de imprensa americanos resgataram documentos antigos que mostram assinaturas de Trump compatíveis com a que consta no papel.

Jeffrey Epstein foi preso em julho de 2019 acusado de tráfico sexual e conspiração. Ele foi encontrado morto em sua cela um mês depois, em um suicídio que até hoje gera especulações.

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