Uma empresa de Karina Gama, produtora também envolvida no filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), recebeu autorização da Agência Nacional do Cinema (Ancine), em 2021, para captar quase R$ 5 milhões por meio da Lei do Audiovisual. Segundo informa o colunista Ramiro Brites, do portal Metrópoles, o dinheiro seria destinado à produção de uma série documental sobre jogadores de futebol ligados ao movimento Atletas de Cristo.
O projeto, chamado Mais que Vencedores, foi apresentado pela Go 7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda. Apesar do aval para buscar os recursos, a empresa não conseguiu captar nenhum valor, e a produção acabou não saindo do papel.
A autorização ganha relevância em meio às investigações envolvendo outras iniciativas de Karina Gama. Por meio da GoUp Entertainment, ela produziu Dark Horse, longa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as informações reveladas na investigação, o projeto recebeu ao menos US$ 12,5 milhões, equivalentes atualmente a cerca de R$ 64 milhões, de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, após pedido de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência.
Autorização ocorreu durante gestão de Frias na Cultura
Quando a Go 7 recebeu o aval da Ancine, a agência estava vinculada à estrutura comandada por Mário Frias, então secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro. Atualmente deputado federal pelo PL de São Paulo, Frias também é roteirista de Dark Horse.
O despacho autorizando a captação para Mais que Vencedores foi assinado em 2021 por Alex Braga, que naquele momento ocupava interinamente a presidência da Ancine. Braga havia chegado ao comando do órgão no primeiro ano do governo Bolsonaro e, em outubro de 2021, tornou-se diretor-presidente efetivo, com mandato previsto para terminar em outubro de 2026.
A autorização permitia que a Go 7 buscasse quase R$ 5 milhões junto a empresas interessadas em financiar a produção por meio dos mecanismos previstos na Lei do Audiovisual.
A existência do despacho foi revelada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente confirmada pelo Metrópoles após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao filme Dark Horse.
Projeto não conseguiu captar recursos
A autorização concedida pela Ancine não significava a transferência direta de recursos públicos para a produtora. A Go 7 estava habilitada a procurar patrocinadores e investidores utilizando os incentivos fiscais previstos na legislação.
O modelo tem semelhanças com a Lei Rouanet, ao permitir que empresas direcionem recursos para produções culturais por meio de renúncia fiscal. A Lei do Audiovisual, porém, também contempla mecanismos pelos quais investidores podem adquirir participação nas produções e, dependendo da modalidade, participar dos resultados econômicos.
No caso da série Mais que Vencedores, a autorização não resultou em captação. A Go 7 não conseguiu levantar recursos por meio do mecanismo, e o documentário sobre integrantes do Atletas de Cristo não foi produzido.
Outras empresas de Karina estão sob investigação
Karina Gama também é responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização social financiada com recursos públicos e atualmente investigada pela Polícia Civil de São Paulo.
A apuração envolve um contrato superior a R$ 100 milhões destinado à implantação de pontos de Wi-Fi em áreas periféricas da capital paulista.
O instituto também recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas por Mário Frias. A Polícia Federal investiga possível desvio desses recursos.
Entre os gastos sob análise está um projeto de jiu-jitsu contratado pelo ICB com dinheiro de emenda destinada pelo parlamentar. Mais de R$ 500 mil teriam sido gastos com uniformes de luta, apesar de registros mostrarem alunos treinando com roupas comuns.
As diferentes frentes colocaram as atividades de Karina Gama no centro das investigações que ganharam dimensão nacional após a quebra do sigilo do caso Dark Horse. O aval da Ancine para a Go 7, contudo, tem uma diferença importante: embora a produtora estivesse autorizada a buscar quase R$ 5 milhões em recursos incentivados, nenhum valor foi efetivamente captado para Mais que Vencedores.







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