Desmatamento global avança e ameaça meta de zerar destruição florestal até 2030, alerta relatório

Estudo aponta perda de 8,1 milhões de hectares de florestas em 2024, o equivalente ao território do Panamá,

Um novo relatório global sobre o estado das florestas traz um alerta contundente: o planeta está longe de cumprir o compromisso de eliminar o desmatamento até 2030. A Avaliação da Declaração Florestal de 2025, elaborada por uma coalizão internacional da sociedade civil, mostra que 63% dos países estão fora da rota para atingir a meta, com 8,1 milhões de hectares de florestas perdidos permanentemente em 2024 — uma área equivalente ao tamanho do Panamá.

Perdas superam níveis compatíveis com metas climáticas
O estudo aponta que a destruição florestal do último ano ultrapassou em 3,1 milhões de hectares o limite máximo considerado compatível com os compromissos assumidos em 2021. A tendência negativa preocupa especialmente às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA), e deve concentrar as discussões sobre o avanço da devastação e o financiamento da restauração ambiental.

Segundo Erin Matson, uma das autoras do documento, “a cada ano, a lacuna entre compromissos e realidade aumenta, com impactos devastadores sobre as pessoas, o clima e as economias. As florestas são uma infraestrutura inegociável para um planeta habitável.”

Incêndios e agropecuária são os principais vilões da destruição
O relatório revela que as florestas tropicais remotas e intocadas foram as mais afetadas em 2024, com 6,73 milhões de hectares destruídos. A maioria das perdas ocorreu devido a incêndios — muitos deles provocados pela limpeza de terras para a agropecuária, especialmente na América Latina, Ásia, África e Oceania.

As emissões resultantes da destruição florestal chegaram a 3,1 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, quase 150% das emissões anuais do setor energético dos Estados Unidos. Além do desmatamento, 8,8 milhões de hectares de florestas tropicais foram degradados por queimadas, extração de madeira e abertura de estradas.

Florestas degradadas: ameaça silenciosa e crescente
A degradação florestal, segundo o relatório, é uma “bomba-relógio” ambiental: embora não elimine totalmente a vegetação, enfraquece o ecossistema, aumenta as emissões de carbono e abre caminho para o desmatamento futuro. Os líderes globais estão 234% distantes da meta de conter essa degradação, com destaque para a região amazônica, onde o impacto das queimadas foi especialmente grave.

Reflorestamento ainda caminha em ritmo lento
O estudo também avaliou os esforços de reflorestamento e restauração de ecossistemas. Apenas 10,6 milhões de hectares de áreas degradadas estão sendo recuperadas — o equivalente a 5,4% do potencial global. A meta estabelecida no Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal é de 30%, o que mostra a necessidade de acelerar as ações.

A maior parte das iniciativas de recuperação está concentrada em regiões tropicais (cerca de 7 milhões de hectares), seguidas por áreas temperadas e boreais. O relatório destaca ainda que 85% da perda florestal da última década está ligada à expansão agrícola, com o sistema econômico global favorecendo atividades que destroem florestas em detrimento da conservação.

Mudança sistêmica é urgente para conter a devastação
Os pesquisadores defendem que políticas isoladas não serão suficientes para reverter a crise florestal. “Os líderes precisam implementar reformas ousadas e vinculativas que transformem o sistema que ainda recompensa a destruição das florestas. Sucessos pontuais não bastam; precisamos de uma mudança estrutural duradoura”, afirma o relatório.

Esperança com novas iniciativas na COP30
Apesar do cenário preocupante, o documento aponta iniciativas promissoras que podem mudar o curso da crise ambiental. Entre elas, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), proposto pelo Brasil, visa atrair investimentos privados para financiar a proteção das florestas tropicais, reduzindo riscos e ampliando recursos para projetos sustentáveis.

“Ao contrário das soluções isoladas, novas formas de financiamento, como o TFFF, oferecem um caminho real para a transformação. Se a COP30 cumprir sua promessa, poderemos relatar uma história diferente no próximo ano — uma de progresso real”, conclui Matson.

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