Relatório aponta que perda de florestas tropicais diminuiu 36% em 2025 após recorde

Apesar de queda do desmatamento global, perda de florestas tropicais ainda preocupa especialistas

A destruição das florestas tropicais apresentou queda em 2025, mas segue em patamar considerado elevado por especialistas, informa reportagem da Folha de S. Paulo. Dados divulgados nesta quarta-feira (29) indicam que o planeta perdeu 4,3 milhões de hectares de mata virgem no último ano, área equivalente ao território da Dinamarca.

O levantamento faz parte do relatório do Global Forest Watch, iniciativa do World Resources Institute (WRI) em parceria com a Universidade de Maryland, que monitora a cobertura florestal no mundo. Apesar da redução de 36% em relação a 2024 — quando foram registrados 6,7 milhões de hectares devastados, o maior nível já observado —, os números ainda estão acima do esperado para conter a crise ambiental.

Queda ainda insuficiente para metas globais

A redução no ritmo de destruição é vista como um sinal positivo, mas distante do necessário para cumprir os compromissos internacionais assumidos por diversos países.

“É encorajador, quando o problema parece enorme, que haja intervenções reais que funcionam e podemos ver isso nos dados”, afirmou Elizabeth Goldman, codiretora do Global Forest Watch.

Ainda assim, segundo ela, o volume atual de desmatamento segue elevado. Os países estariam derrubando cerca de 70% a mais de florestas do que o limite considerado compatível com a meta global de interromper e reverter a perda de vegetação até 2030.

“Atingir essa meta nos próximos anos não será fácil”, afirmou.

O relatório também destaca a intensidade das perdas: o equivalente a 11 campos de futebol de florestas nativas desaparece a cada minuto no mundo. Em comparação com uma década atrás, o desmatamento nas regiões tropicais ainda é 46% maior.

Agronegócio segue como principal motor

A expansão agrícola permanece como o principal fator por trás da destruição florestal em escala global. A produção de commodities agrícolas em países como Brasil, Bolívia e Indonésia continua pressionando áreas de mata, enquanto a agricultura de subsistência exerce impacto relevante em regiões como a República Democrática do Congo.

Em alguns países asiáticos, políticas públicas têm contribuído para conter a perda de florestas primárias, como ocorre na Malásia e na Indonésia. No entanto, novas iniciativas voltadas à expansão agrícola podem reverter parte desses avanços.

Na Indonésia, por exemplo, um programa de incentivo à produção de alimentos para garantir autossuficiência tem sido apontado como fator de aumento do desmatamento.

Especialistas também alertam para possíveis impactos futuros no Brasil, caso medidas de controle sejam flexibilizadas, como acordos que restringem a compra de produtos oriundos de áreas recém-desmatadas.

Incêndios ganham peso na destruição

Além da agricultura, os incêndios florestais têm desempenhado papel cada vez mais relevante na perda de vegetação. Em 2025, eles responderam por 42% da destruição global de florestas, incluindo áreas fora dos trópicos.

Embora possam ter origem natural, a maioria dos incêndios é provocada por ação humana. O fenômeno tem sido agravado pelas mudanças climáticas, que tornam a vegetação mais seca e vulnerável.

O Canadá, por exemplo, enfrentou uma das piores temporadas de incêndios de sua história recente. Nos últimos três anos, a área de floresta boreal queimada no país foi cerca de cinco vezes maior do que a média registrada nas duas décadas anteriores.

Nos trópicos, o cenário também se intensificou. Queimadas antes localizadas passaram a se transformar em incêndios de grandes proporções devido às condições climáticas mais severas.

Equilíbrio climático em risco

O avanço dos incêndios e das secas tem colocado em risco o papel das florestas como importantes sumidouros de carbono, fundamentais para reduzir o impacto das mudanças climáticas.

Rod Taylor, diretor global de florestas do WRI, alertou para o cenário delicado enfrentado pelo planeta.

“Estamos em uma espécie de fio da navalha”, acrescentou.

Segundo ele, há um risco crescente de que as florestas passem de aliadas no combate ao aquecimento global para fontes de emissão de gases de efeito estufa, caso a degradação continue.

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