Deslocamento de até três horas reacende debate sobre escala 6×1 na Alerj

Comissão de Trabalho discute impactos das longas jornadas e aponta que milhões de brasileiros trabalham mais de 40 horas por semana

A rotina de trabalhadores que passam horas no transporte público antes mesmo de iniciar o expediente esteve no centro de um debate realizado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Em reunião da Comissão de Trabalho, na quinta-feira (07), representantes sindicais, parlamentares e entidades ligadas aos trabalhadores discutiram os impactos da escala 6×1 e das jornadas extensas sobre a saúde física e mental da população.

O presidente do Sindicato dos Comerciários, Márcio Ayer, chamou atenção para o desgaste enfrentado diariamente por trabalhadores que precisam se deslocar da Baixada Fluminense até o Centro do Rio. Segundo ele, o problema vai além das horas registradas formalmente dentro das empresas.

“Muitos trabalhadores passam mais de três horas por dia entre ida e volta ao trabalho, especialmente quem sai da Baixada para o Centro do Rio. Quando somamos o tempo de transporte às longas jornadas e às horas extras, vemos uma rotina desgastante, que compromete o descanso, a convivência familiar e a qualidade de vida”, afirmou.

Dados sobre jornadas

Dados do Ministério do Trabalho apresentados no encontro apontam que 34 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais. O tema tem sido alvo de discussões em diferentes setores por causa dos impactos relacionados ao cansaço físico, ao estresse e à redução do tempo de convivência familiar.

A Comissão de Trabalho informou que vem estudando medidas voltadas à melhoria das condições de trabalho tanto no serviço público quanto nos contratos de terceirização.

Impactos na saúde mental

Presidente do colegiado da Alerj, a deputada Dani Balbi (PCdoB) afirmou que a discussão envolve também questões relacionadas à saúde mental e à precarização das relações de trabalho.

“Essa escala aprofunda o adoecimento mental e físico dos trabalhadores, especialmente das mulheres, que acumulam jornadas dentro e fora do ambiente profissional. Não podemos tratar esse debate sem compreender que ele faz parte de um projeto histórico de retirada de direitos e de enfraquecimento das garantias trabalhistas”, declarou.

A deputada federal Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ) também participou do encontro e destacou a necessidade de ampliar o debate sobre os impactos das jornadas consideradas exaustivas.

“Não devemos normalizar um modelo de trabalho que adoece física e emocionalmente a população trabalhadora. O aumento dos casos de ansiedade, estresse e esgotamento está diretamente ligado às condições precárias e às jornadas excessivas enfrentadas diariamente pelos trabalhadores”, afirmou.

Ampliação do debate

A diretora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Chris Gerardo, defendeu a ampliação do diálogo entre o Parlamento e a sociedade para construção de políticas públicas voltadas à proteção dos trabalhadores.

“Trazer esse tema para discussão pública é essencial para aproximar o poder público da realidade vivida pelos trabalhadores. É ouvindo as demandas da população que conseguimos avançar na formulação de medidas mais justas e conectadas com os desafios enfrentados no dia a dia”, disse.

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