Horas após ser alvo de uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Civil, o deputado estadual Val Ceasa (PRD) compareceu à sessão plenária da Assembleia Legislativa (Alerj), nesta quinta-feira (18), e utilizou a tribuna para se defender das acusações.
O parlamentar é investigado por suspeita de envolvimento com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Durante o discurso, ele afirmou ter sido surpreendido pela chegada dos agentes à sua residência, classificou a ação como constrangedora e negou qualquer irregularidade.
Ao mesmo tempo, disse considerar legítima a realização de investigações e afirmou confiar que as apurações comprovarão sua inocência.
Discurso no plenário
Em sua fala, Val relatou que trabalha no Centro de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa) desde a adolescência e destacou que nunca teve envolvimento com ocorrências policiais.
“Hoje de manhã eu fui acordado com o Ministério Público na minha porta, uma coisa constrangedora para quem desde os quinze anos trabalha no Ceasa e nunca foi numa delegacia nem fazer uma ocorrência de caminhão, de carro, de nada”, declarou.
O deputado também afirmou que vê com naturalidade o fato de ser investigado. “Todo ser humano pode ser investigado, isso é normal. Se o filho do Lula está sendo investigado, por que não eu, um deputado humilde da Zona Norte?”, disse.
Segundo o parlamentar, a operação não alterará sua rotina de trabalho e de contato com a população.
“Para você saber se a pessoa tem envolvimento com coisas erradas é só perguntar à população. Mais tarde, eu vou estar na rua trabalhando, postando as filmagens que faço e peço à população que entre e compartilhe, e quem sabe da comunidade é a população, para ver a minha índole”, argumentou.
Comparação com caso de vereador
Durante o pronunciamento, o deputado fez referência ao caso do vereador carioca Salvino Oliveira (PSD), cuja investigação acabou sendo arquivada posteriormente com questionamentos sobre o uso político da Polícia Civil.
O partido do vereador chegou acionar o MP acusando o ex-secretário da Polícia Civil e pré-candidato a deputado federal Felipe Curi, o ex-governador Cláudio Castro e o delegado Pedro Cassundé de improbidade administrativa.
Entretanto, o deputado afirmou esperar que a apuração envolvendo seu nome não tenha motivação política. “Só vou ficar triste se uma coisa que aconteceu com o vereador do Município do Rio de Janeiro esteja acontecendo aqui com um deputado do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou.
Na sequência, o parlamentar voltou a alegar perseguição política e disse acreditar que a Justiça esclarecerá os fatos. “Estou sofrendo essa perseguição política, mas Deus e a justiça vão provar que a gente é gente de bem”, declarou.
Nome foi cogitado para o TCE
A operação ocorre em um momento em que o nome de Val Ceasa vinha sendo mencionado nos bastidores políticos para uma futura disputa por uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
Nos últimos meses, deputados estaduais chegaram a sondar o parlamentar para ocupar a cadeira que deverá ser aberta com a saída de Domingos Brazão, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.
A movimentação em torno de Val Ceasa surgiu como uma alternativa ao nome do deputado Rodrigo Amorim (PL), que também vinha sendo citado para a vaga.
Apesar do apoio de parte dos parlamentares, Val Ceasa rejeitou a possibilidade de disputar o cargo e afirmou que sua prioridade continua sendo a busca pela reeleição à Alerj.






Deixe um comentário