O debate sobre o fim da escala 6×1 chegou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (28) acompanhado de relatos pessoais de parlamentares que afirmaram ter vivido na prática a rotina de jornadas consideradas exaustivas.
Um dia após a Câmara dos Deputados aprovar a proposta que altera o modelo de trabalho, as deputadas Tia Ju (Republicanos) e Renata Souza (Psol) usaram a tribuna para lembrar experiências profissionais anteriores à vida política e defenderam mudanças nas condições de trabalho dos brasileiros.
Durante a sessão, as duas parlamentares associaram a discussão não apenas à carga horária, mas também aos impactos da rotina sobre saúde, convivência familiar e qualidade de vida.
Relatos da rotina exaustiva
Renata afirmou que trabalhou sob o modelo 6×1 e relatou as dificuldades enfrentadas durante esse período. Segundo ela, a rotina comprometia atividades básicas do cotidiano.
“Essa escala que escraviza a nossa população. De seis dias trabalhados, apenas um dia de folga. Esse um dia não dá para garantir a ida ao hospital, não dá para garantir o acompanhamento das crianças, seja na escola, seja na lógica da profissionalização, não dá para garantir uma vida além do trabalho”, declarou.
A parlamentar também destacou os impactos da jornada para mulheres que acumulam diferentes responsabilidades dentro e fora do ambiente profissional. “Para nós, mulheres, que fazemos dupla, tripla jornada de trabalho, isso, sem dúvida nenhuma, é garantia de dignidade”, afirmou.
Ela relatou ainda a própria experiência antes da atuação política. “Eu acordava às 5 horas da manhã para abrir uma academia. Eu ficava trabalhando 8 horas, 9 horas seguidas em um dia e ainda tinha que trabalhar no sábado”, disse.
Experiência no comércio
A presidente da sessão, deputada Tia Ju, também fez referência à própria trajetória profissional ao comentar a aprovação da proposta. Ela contou ter trabalhado em supermercado e lanchonete durante parte da vida. “Eu trabalhei parte da minha vida toda em supermercado e lanchonete. Tinha um dia só de folga, no domingo”, relatou.
Segundo a parlamentar, além da jornada regular, ainda havia demandas extras relacionadas ao funcionamento do estabelecimento. “No supermercado, ainda a gente perdia um domingo no mês para fazer o levantamento de estoque. Então era exaustivo demais”, afirmou.
Tia Ju disse que parte do tempo livre acabava sendo consumido por deslocamentos e estudos. “Eu perdi parte da minha vida atrás de um balcão, atrás de um caixa, trabalhando, e sei como é duro, sem contar as horas perdidas nos ônibus, estudando para prova e para concurso dentro de transporte coletivo”, declarou.
Críticas ao momento do debate
Apesar de defender a aprovação da proposta, Tia Ju afirmou que considera tardio o avanço do debate sobre a escala 6×1 no Congresso Nacional. “A minha única crítica foi de ter demorado tanto para acontecer esse debate”, disse.
Segundo a deputada, temas ligados às condições de trabalho deveriam ser discutidos de forma contínua e não apenas em períodos eleitorais. “As questões da população não podem ser levadas só em ano eleitoral como questões eleitoreiras. É preciso olhar com carinho para os trabalhadores”, afirmou.
A aprovação do fim da escala 6×1 pela Câmara dos Deputados ainda será submetido ao Senado Federal.






Deixe um comentário