Vídeo: Delegações de diversos países, incluindo o Brasil, abandonam Assembleia da ONU e boicotam discurso de Netanyahu sobre Gaza

Genocídio que já dura quase dois anos e avanço de invasões ao território palestino por Israel na Cisjordânia intensificam críticas internacionais ao país sionista

Antes mesmo do premier israelense Benjamin Netanyahu subir ao púlpito da Assembleia Geral da ONU nesta sexta-feira (26), diversas delegações abandonaram o salão em protesto. A delegação brasileira, adornada com lenços palestinos, foi uma das que deixou plenário antes mesmo da fala do premiê israelense (veja foto abaixo).

A delegação brasileira na Assembleia Geral da ONU usa um lenço palestino, o Keffiiyeh, e abandona plenário da entidade em Nova York antes do discurso do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, no dia 26 de setembro de 2025. Foto: Felippe Coaglio/g1

Nos últimos dias, diversos países reconheceram Estado Palestino e o presidente palestino discursou pela internet. O gesto refletiu a crescente insatisfação da comunidade internacional diante da condução da retaliação genocida ao Hamas em Gaza, que já se prolonga por quase dois anos e se tornou tema central dos debates em Nova York desde o início da semana.

Com o impasse militar e diplomático, cresce a pressão por um cessar-fogo, ao mesmo tempo em que mais países criticam abertamente a estratégia de linha-dura adotada por Israel, considerada sem espaço para uma solução política.

Reconhecimento do Estado palestino

Às vésperas da abertura da Assembleia, países como Austrália, Canadá, França, Reino Unido e Portugal anunciaram o reconhecimento oficial do Estado palestino. A decisão deu novo fôlego à causa palestina, que já havia sido destacada em discursos anteriores, como o do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Na quinta-feira (25), Abbas denunciou o que chamou de genocídio “monitorado e documentado” em Gaza, além de acusar Israel de acelerar sua política expansionista em meio ao conflito.

Assentamentos e plano E1

As críticas também se voltaram para a decisão de Israel de autorizar, em maio, a maior expansão em décadas de assentamentos na Cisjordânia ocupada. Mais recentemente, o governo Netanyahu anunciou o polêmico plano E1, que prevê a construção de 3.400 unidades habitacionais em uma área estratégica.

O projeto abriria um corredor que isolaria Jerusalém Oriental — reivindicada pelos palestinos como capital — do restante da Cisjordânia, inviabilizando na prática a criação de um Estado palestino contíguo. Além disso, autoridades israelenses já manifestaram abertamente a intenção de ocupar permanentemente a Faixa de Gaza, proposta que recebeu apoio público do presidente dos EUA, Donald Trump — que chegou a sugerir transformar a região em um resort.

Trump e Macron traçam limites

Apesar do alinhamento entre Washington e Tel Aviv em diversas frentes, Trump foi enfático nesta quinta-feira (25) ao declarar que não permitiria a anexação da Cisjordânia, administrada pela Autoridade Nacional Palestina (ANP). O presidente francês, Emmanuel Macron, que se reuniu com o líder dos EUA um dia antes, afirmou que europeus e estadunidenses estavam “na mesma página” quanto a essa linha vermelha.

“[Qualquer tentativa de anexar a Cisjordânia] seria o fim dos Acordos de Abraão, que foi uma das histórias de sucesso do primeiro governo Trump. Os Emirados Árabes Unidos foram muito claros sobre isso. Acho que é um limite para os EUA”, afirmou Macron.

Netanyahu promete “verdade de Israel”

Na véspera de embarcar para Nova York, Netanyahu antecipou que usaria seu discurso para condenar os países que reconheceram o Estado palestino. Em mensagem publicada nas redes sociais, declarou que falaria a “verdade de Israel” e criticou os líderes que, segundo ele, “em vez de denunciar os assassinos, estupradores e queimadores de crianças”, numa referência ao Hamas, “querem dar a eles um Estado no coração da Terra de Israel”.

Bombardeios continuam em Gaza

Enquanto a diplomacia se desenrola em Nova York, a ofensiva militar segue em Gaza. Segundo o Exército israelense, mais de dois mil alvos foram bombardeados desde o início da atual fase da operação, todos supostamente ligados a atividades “terroristas”. A ONU estima que 700 mil palestinos já tenham deixado a Cidade de Gaza, principal centro urbano da região.

Fontes militares israelenses revelaram ainda que o gabinete de Netanyahu ordenou que o discurso do premier na ONU fosse retransmitido em Gaza por meio de alto-falantes. Uma delas classificou a medida como “delirante”, em meio ao agravamento do genocídio no território.

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