Candidata a deputada federal pelo PL nas eleições deste ano e ex-prefeita de Saquarema, Manoela Peres, chega à disputa por uma cadeira na Câmara com patrimônio 141% maior do que o declarado seis anos atrás. Os bens informados à Justiça Eleitoral passaram de cerca de R$ 573 mil, em 2020, última vez que foi candidata em uma eleição, para R$ 1.379.818 em 2026.
Destaque para o investimento em imóveis, com a compra de uma casa no valor superior a R$ 800 mil e mais duas salas que somam R$ 130 mil. Tem ainda um automóvel Volvo XC40 no valor de R$ 245 mil, Possui ainda participação no capital social de cinco empresas, sendo que 3 do ramo de empreendimentos imobiliários, uma clínica odontológica e outra de Marketing Estratégico, totalizando uma quantia superior a R$ 220 mil.
Em valores nominais, o aumento supera R$ 806 mil.
Manoela foi reeleita prefeita em 2020 com 78,52% dos votos válidos e permaneceu à frente de Saquarema até dezembro de 2024. Agora, tenta transferir sua força política na Região dos Lagos para uma vaga em Brasília.
De R$ 573 mil para R$ 1,38 milhão
Dados do TSE reunidos em levantamento sobre os candidatos do PL no Rio mostram que os R$ 1,38 milhão colocam Manoela entre os nomes da legenda no estado com patrimônio declarado superior a R$ 1 milhão.
O crescimento ocorreu num período em que Manoela esteve praticamente todo o tempo no comando da prefeitura. Beneficiada por receitas de royalties e participações especiais do petróleo, Saquarema tinha cerca de 90 mil habitantes em 2020, segundo o IBGE.
R$ 350 mil em espécie guardados em casa
A gestão de Manoela também foi alvo de investigações relacionadas a contratos públicos. O principal caso envolve o programa educacional Conexão do Futuro e contratos que, segundo o Ministério Público do Rio, superam R$ 326 milhões.
Em agosto de 2024, o Tribunal de Justiça determinou o afastamento temporário da então prefeita e a indisponibilidade de seus bens. Manoela recorreu e retornou ao cargo depois de decisão do ministro Dias Toffoli, do STF. Na ocasião, ela afirmou ter suspendido o programa e os pagamentos, rompido o contrato e exonerado profissionais depois de tomar conhecimento das denúncias.
O caso teve novo desdobramento em maio de 2025, quando o MPRJ deflagrou a Operação Conexões. Durante o cumprimento de um mandado de busca na residência de Manoela, em Itaúna, bairro de classe alta da cidade, agentes encontraram 37 mil euros (equivalentes à época a cerca de R$ 231 mil — e R$ 127.530 em espécie). Somados, os valores ultrapassavam R$ 358 mil. Também foram apreendidos equipamentos eletrônicos e documentos.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) aprovou as contas dos dois últimos anos de sua administração. A de 2024 com 7 ressalvas. Apesar das gestões agitadas por ações dos órgãos de investigação, Manoela Peres deixou a prefeitura com aprovação recorde de 95%, elegendo, inclusive, sua sucessora, a atual prefeita, Lucimar Vidal. Segundo o TRE, o município possui pouco mais de 70 mil eleitores.







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