Saiba como foi o primeiro debate entre os candidatos ao governo do Estado do Rio

Ataques a Paes, que não compareceu, e foco na segurança pública foram pontos de destaque

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O primeiro debate entre os candidatos ao governo do Estado do Rio na Band foi marcado por ataques dos participantes ao grande ausente da noite, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas de opinião e, na véspera, informara que faltaria. Os quatro presentes – Douglas Ruas (PL), Anthony Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo) – elegeram o tema da segurança pública e o avanço da criminalidade como a prioridade de quem assumir o comando do Palácio Guanabara.

Nesse ponto, Ruas foi cobrado por sua ligação com o ex-governador Cláudio Castro e por ser do grupo político que vem comandando a Assembleia Legislativa (Alerj), que teve Rodrigo Bacellar (ex-presidente da Casa), e o deputado TH Joias presos este ano, após investigações da Polícia Federal que os ligaram ao crime organizado. O candidato do PL ensaiou um discurso de independência política, dizendo que não tem padrinhos e que nunca escolheu chefes, apesar de ter integrado o Secretariado de Castro.

Paes vira alvo comum

No primeiro bloco, Ruas, Marinho (Novo) e Siri (PSOL), mesmo partindo de campos políticos distintos, concentraram parte de suas intervenções em críticas a Paes. A ausência acabou produzindo uma espécie de convergência circunstancial entre os três: todos buscaram explorar politicamente a decisão do candidato do PSD de não comparecer ao primeiro debate televisionado da disputa.

Paes havia informado que não participaria de debates e sabatinas antes do início oficial da campanha e da confirmação dos registros das candidaturas, seguindo orientação jurídica de sua coligação. A Band manteve o debate e o púlpito destinado ao candidato.

Siri e Ruas entram em choque na segurança

A convergência contra Paes, porém, não impediu que os candidatos presentes entrassem em confronto entre si. Um dos embates mais claros do primeiro bloco colocou Willian Siri e Douglas Ruas em lados opostos na discussão sobre segurança pública.

Siri vem defendendo uma mudança no modelo adotado no estado, com maior integração das políticas públicas e críticas à estratégia baseada prioritariamente no confronto policial. Antes do debate, havia resumido sua posição afirmando que “segurança pública não se faz somente com polícia, mas de forma coordenada”. E acusou Ruas de ser “pupilo” de Castro e Bacellar, chamado por ele de “agente político” do Comando Vermelho.

Ruas, por sua vez, defendeu sua experiência na administração estadual e procurou apresentar-se como candidato com trajetória própria, apesar da ligação do PL com o governo de Cláudio Castro. “Nunca escolhi chefes, escolhi missões”, afirmou. O confronto expôs uma das divisões mais nítidas da campanha: de um lado, a proposta do PSOL de reformular a política de segurança; do outro, o candidato que representa o partido que comandou o governo estadual nos últimos anos

Garotinho também elevou a temperatura ao confrontar Douglas Ruas, numa disputa que ganha peso adicional porque os dois aparecem próximos na corrida pela segunda colocação em levantamentos eleitorais. Pesquisa Paraná divulgada no fim de julho mostrava Ruas com 11,1% e Garotinho com 11%, em empate técnico.

O ex-governador também explorou a cadeira vazia de Paes. Antes mesmo do início do confronto, Garotinho já havia afirmado que o adversário teria “medo” de ser questionado.

“Se ele tem medo de enfrentar o Garotinho, como vai enfrentar o crime organizado?”, afirmou o candidato do Republicanos no pré-debate.

Dobradinha de Ruas e Marinho contra Paes

Para atacar Paes, Ruas e Marinho aproveitaram uma rodada de perguntas e respostas para tentar descontruir o ex-prefeito do Rio. O mote escolhido pelos dois candidatos foi a violência contra as mulheres. Os dois citaram episódios envolvendo Paes e integrantes de seu grupo político, transformando o espaço que deveria ser destinado ao confronto entre os dois em uma sequência de ataques ao candidato do PSD.

O resultado foi um início de debate marcado menos pela apresentação isolada de programas de governo e mais pela tentativa de definir adversários, estabelecer diferenças e ocupar o espaço político deixado pela ausência de Paes.

O segundo bloco aprofundou confrontos que já haviam aparecido na primeira parte do programa. Siri voltou a escolher Ruas como principal adversário, enquanto Ruas chamou novamente Marinho, repetindo a dobradinha observada anteriormente. Garotinho, por sua vez, entrou em confronto direto com Marinho.

Siri cobra Ruas sobre servidores e educação

Siri voltou a direcionar sua artilharia para Ruas. Um dos embates passou pela situação do funcionalismo público e pela remuneração dos servidores estaduais, especialmente profissionais da segurança.

Siri cobrou a valorização dos servidores e questionou a situação dos policiais civis. Ruas respondeu defendendo a recomposição salarial do funcionalismo e procurou apresentar sua trajetória no serviço público como credencial para tratar do tema.

A discussão avançou para a educação quando Ruas questionou Siri sobre as escolas cívico-militares.

O candidato do PSOL rejeitou a adoção do modelo como eixo da política educacional e defendeu valorização dos profissionais da rede pública. Siri também apresentou como propostas a realização de concursos e a manutenção de reajustes periódicos para os servidores.

O confronto voltou a deixar clara a estratégia de Siri no debate. Pela segunda vez, o candidato do PSOL escolheu Ruas para estabelecer um embate direto, colocando frente a frente projetos políticos de campos opostos.

A segurança pública também apareceu na troca entre os dois. Ruas defendeu uma política de retomada de territórios dominados pelo crime organizado, enquanto Siri procurou ampliar o conceito de segurança para além da atuação policial. A Agenda do Poder registrou o confronto entre os dois como um dos momentos de choque do debate.

Dobradinha de Ruas com Marinho chega à saúde

Em contraste com o confronto mais duro entre Siri e Ruas, o candidato do PL voltou a escolher Marinho para sua pergunta.

A repetição reforçou a aproximação já percebida no primeiro bloco. Em vez de utilizar sua vez para enfrentar Siri ou Garotinho, que haviam dirigido críticas a ele, Ruas preferiu novamente dialogar com o candidato do Novo.

Na discussão sobre saúde, os dois voltaram a direcionar críticas a Paes e à administração municipal do Rio.

Marinho apontou deficiências no atendimento e defendeu maior presença do Governo do Estado na área.

“Saúde está em falta. O Estado precisa estar presente”, afirmou o candidato do Novo.

A convergência reproduziu o padrão do primeiro bloco: Ruas fazia a pergunta, Marinho desenvolvia críticas que atingiam Paes, e a discussão acabava permitindo ao candidato do PL reforçar a mesma linha de ataque.

A dobradinha chama atenção porque os dois disputam parcelas próximas do eleitorado, mas evitaram transformar os encontros entre eles em confrontos agressivos.

A aproximação não começou no palco da Band. Antes da campanha, integrantes dos dois grupos já haviam articulado um entendimento segundo o qual Ruas e Marinho poderiam apoiar um ao outro em eventual segundo turno contra Paes.

No debate, essa convergência ganhou forma concreta pela segunda vez.

Marinho e Garotinho duelam sobre prisões e segurança

O clima foi diferente quando Marinho enfrentou Garotinho. Marinho levou a discussão para o sistema penitenciário e questionou o ex-governador sobre a política carcerária do estado. Garotinho defendeu um tratamento diferenciado aos presos de acordo com a natureza dos crimes e voltou a apresentar propostas de endurecimento da segurança.

Entre elas, o candidato do Republicanos falou na criação de um “Bope 2.0”, expressão usada para descrever sua proposta de reforço das estruturas de combate ao crime organizado.

Marinho reagiu lembrando problemas enfrentados durante os governos de Garotinho e de Rosinha Garotinho. O candidato do Novo procurou utilizar o histórico administrativo do adversário como contraponto às propostas apresentadas agora.

O embate terminou em tom duro, com Marinho direcionando um recado às lideranças criminosas ao defender uma política mais rígida de segurança pública.

A discussão sobre prisões e combate ao crime expôs também uma disputa entre duas candidaturas que procuram apresentar propostas firmes para a segurança, mas partem de trajetórias bastante diferentes: Garotinho já governou o estado, enquanto Marinho disputa pela primeira vez um cargo eletivo.

Jornalistas questionam os quatro candidatos

Além dos confrontos diretos, o segundo bloco abriu espaço para perguntas feitas por jornalistas da Band.

Ruas foi questionado sobre segurança pública e tratou da necessidade de recuperar áreas submetidas ao domínio territorial de organizações criminosas.

Siri respondeu sobre educação e reforçou a defesa da valorização dos profissionais da rede pública.

Garotinho recebeu uma pergunta sobre mobilidade, enquanto Marinho foi questionado sobre saúde.

A rodada permitiu aos candidatos desenvolver propostas sem escolher o interlocutor, diferentemente dos confrontos diretos, nos quais a seleção do adversário também funcionava como estratégia política.

No caso de Ruas e Siri, os temas apresentados pelos jornalistas dialogaram diretamente com o confronto que os dois vinham travando no debate.

Já a saúde, abordada com Marinho, acabaria novamente servindo de terreno para críticas ao modelo de administração associado a Paes.

Marinho apontou deficiências no atendimento e defendeu maior presença do Governo do Estado na área.

“Saúde está em falta. O Estado precisa estar presente”, afirmou o candidato do Novo.

Nas considerações finais, novos ataques a Paes

Assim como no início do debate, os candidatos reservaram parte de seus últimos minutos para criticar o adversário ausente e, ao mesmo tempo, apresentar ao eleitor as linhas gerais de seus projetos para o Palácio Guanabara.

Apesar das críticas recorrentes a Paes, as falas finais também revelaram estratégias distintas. Marinho apostou no discurso de renovação e combate à corrupção; Siri enfatizou sua origem popular; Ruas defendeu atenção às regiões que considera esquecidas pelo poder público; e Garotinho apresentou uma proposta direcionada aos servidores estaduais.

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