Ruas tenta se afastar de Castro e Bacellar e diz que escolherá missão, não chefes

Em entrevista na saída do debate, candidato do PL defende passagem pela Secretaria das Cidades, alvo de questionamentos, e encerra resposta com ataques a Eduardo Paes e Lula

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Pressionado a explicar como poderá governar o Rio sem a influência dos grupos políticos de Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar, dos quais foi aliado, Douglas Ruas (PL) recorreu à própria trajetória para tentar marcar distância da administração anterior. O candidato afirmou que pretende convencer os eleitores apresentando seu histórico profissional e as ações realizadas na Secretaria estadual das Cidades.

Ruas não declarou expressamente, na resposta, que romperá com todos os integrantes dos dois grupos. Disse, porém, que nunca escolheu chefes durante sua passagem pelo serviço público e procurou sustentar que sua participação no governo Castro esteve vinculada a uma “missão” administrativa.

“Eu sou um servidor público concursado. Entrei através de um concurso para a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Nos últimos 12 anos, servi em diferentes funções públicas e nunca escolhi chefe, eu sempre escolhi a missão”, afirmou.

Passagem pelo governo Castro

A tentativa de afastamento ocorre apesar de Ruas ter integrado o primeiro escalão do governo Cláudio Castro. Ele comandou a Secretaria das Cidades entre setembro de 2023 e março de 2026 e se tornou um dos principais executores de obras da gestão estadual.

Segundo o candidato, mais de R$ 2 bilhões foram investidos em 73 dos 92 municípios fluminenses durante sua passagem pela pasta. Ruas afirmou que aceitou o cargo porque conhecia, desde a infância em São Gonçalo, os impactos provocados pela falta de pavimentação e infraestrutura urbana.

“A minha missão no último governo foi estar à frente da Secretaria de Estado das Cidades. Eu nasci e cresci numa rua em São Gonçalo toda esburacada. Sei bem o quanto a chegada de uma pavimentação muda a vida das pessoas”, declarou.

Auditoria apontou possíveis irregularidades

A gestão de Ruas na secretaria, no entanto, foi alvo de questionamentos. Uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado apontou possíveis irregularidades em contratos de obras e levantou dúvidas sobre vínculos entre empresas contratadas e pessoas ligadas ao deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL.

A menção ao parlamentar levou o Ministério Público a encaminhar o caso à Procuradoria-Geral da República, responsável por avaliar eventuais apurações envolvendo autoridades com foro. Os envolvidos negaram irregularidades e sustentaram que os contratos seguiram os procedimentos legais. 

Ao defender o legado da pasta, Ruas citou as obras realizadas no bairro Colinas, em São Pedro da Aldeia. De acordo com ele, as ruas íngremes e sem pavimentação dificultavam até mesmo a chegada de ambulâncias.

“Essa foi a minha missão”, resumiu.

Ataques a Paes e Lula

Na parte final da resposta, Ruas deixou de lado as relações com Castro e Bacellar e direcionou as críticas a Eduardo Paes (PSD), que não compareceu ao debate, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliado do adversário.

O candidato do PL relembrou uma conversa telefônica de 2016 entre Paes e Lula, interceptada durante a Operação Lava Jato. Na ocasião, Paes fez comentários depreciativos sobre Maricá. Posteriormente, o então prefeito classificou a declaração como infeliz e disse sentir vergonha do episódio.

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