Crescimento de Ruas surpreende campanha, que credita números a eleitorado evangélico, e acende alerta em aliados de Paes

Leitura feita pelos estrategistas de Ruas é de que o resultado abre uma janela de crescimento para o candidato justamente porque seu nível de conhecimento ainda é baixo

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Ronald Nogueira

A equipe de marketing de Douglas Ruas recebeu com surpresa o resultado da pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira, que colocou o candidato do PL em 21% das intenções de voto na disputa pelo governo do Rio. O desempenho, que o levou à segunda colocação, 14 pontos atrás de Eduardo Paes, é interpretado internamente como um sinal de que a candidatura começa a ganhar tração em segmentos até então menos alcançados. 

Segundo a avaliação da campanha, parte relevante desse crescimento está concentrada entre eleitores evangélicos do interior e da Baixada Fluminense, regiões consideradas estratégicas para a consolidação da candidatura. O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre 28 de agosto e 1º de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

A leitura feita pelos estrategistas de Ruas é de que o resultado abre uma janela de crescimento para o candidato justamente porque seu nível de conhecimento ainda é baixo. Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Ruas aparece com 10%, enquanto 47% dos eleitores não indicam espontaneamente nenhum nome. A campanha considera que, à medida que o deputado estadual se torne mais conhecido, poderá transformar parte desse contingente em intenção de voto, especialmente com o avanço da propaganda eleitoral e o reforço de sua associação ao campo bolsonarista.

O desempenho também acendeu o sinal de alerta na campanha de Eduardo Paes. Embora o ex-prefeito permaneça na liderança, com 35% das intenções de voto, a avaliação entre os aliados é de que o candidato enfrenta uma espécie de estagnação em seu patamar eleitoral. Paes é um nome amplamente conhecido no Estado e, diante disso, teria menos espaço para crescer apenas com a exposição de sua imagem. A preocupação está justamente no contraste com Ruas: enquanto Paes parece próximo do limite imposto pelo conhecimento que já possui entre os eleitores, o adversário ainda tem uma parcela expressiva do eleitorado a conquistar.

Esse cenário ganha relevância diante do calendário das próximas semanas. Ruas deverá contar com quatro idas de Flávio Bolsonaro ao Rio de Janeiro até o primeiro turno, numa estratégia destinada a ampliar sua exposição e reforçar a identificação do candidato com o bolsonarismo. A presença do senador no Estado é vista pela campanha como um ativo eleitoral para alcançar especialmente os segmentos mais alinhados à direita e fortalecer a candidatura em municípios do interior e da Baixada, onde o desempenho entre eleitores evangélicos é apontado como um dos fatores que explicam a recente ascensão.

A reação de Paes já começa a aparecer na propaganda eleitoral, com a campanha do ex-prefeito elevando o tom dos ataques contra Ruas e explorando sua trajetória política, seu patrimônio e suas relações com grupos que tiveram protagonismo na política fluminense. O movimento indica que o crescimento do candidato do PL passou a ser tratado como uma variável concreta na disputa, e não apenas como uma oscilação de pesquisa.

Apesar da vantagem de Paes, a fotografia da pesquisa introduz um elemento de incerteza na corrida. O ex-prefeito lidera também no segundo turno contra Ruas, por 41% a 30%, mas a diferença é menor do que a registrada no primeiro turno. Para a campanha do PL, o principal dado a ser explorado é a combinação entre o crescimento recente e o baixo conhecimento de Ruas, enquanto o entorno de Paes terá de administrar uma candidatura que, embora ainda confortável na liderança, enfrenta o desafio de romper a percepção de estagnação antes que o adversário transforme seu potencial de crescimento em votos efetivos.

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