Ruas, Jordy e Portinho irão a Brasília gravar com Michelle Bolsonaro

A exemplo dos nomes do Rio, candidatos de outros estados também irão ao Distrito para filmagens deste tipo

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Ronald Nogueira

Douglas Ruas, Carlos Jordy e Carlos Portinho, os nomes do PL fluminense nas eleições deste ano, irão a Brasília para gravar vídeos de apoio com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. As filmagens ainda não têm data estabelecida, mas devem ocorrer na próxima semana. A exemplo dos nomes do Rio, candidatos de outros estados também irão ao Distrito para filmagens deste tipo.

A entrada de Michelle nas empreitadas mostra uma necessidade de cativar o público feminino no estado. É esperado que Michelle reforce a necessidade do voto feminino e conservador no trio, em dissonância às candidaturas alinhadas ao petismo no estado. Mas, também há outro fator, de acordo com interlocutores de Brasília: evitar a aposta de eleitores de direita na candidatura de Marcelo Crivella (Republicanos) para o Senado.

A entrada de Michelle nas campanhas do Rio ocorre no momento em que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tenta convence-la a participar de um dos atos que Flávio Bolsonaro fará no estado em setembro. O senador deverá voltar ao Estado ao menos quatro vezes ao longo do mês, em uma ofensiva para reforçar sua presença eleitoral em seu principal reduto político. A presença da ex-primeira-dama é tratada dentro do partido como um ativo para a campanha e, ao mesmo tempo, como uma oportunidade de exibir uma trégua depois do recente atrito entre os dois.

Michelle no Rio

A ideia é que ela esteja no ato que Flávio pretende realizar em Copacabana, na quinzena do primeiro turno. Além do Rio, Valdemar também tenta Michelle a comparecer em atos em Minas e São Paulo, ambos considerados colégios leitoras prioritários.

A preocupação de Valdemar é evitar que as divergências entre Michelle e Flávio contaminem a campanha. O embate entre os dois ganhou dimensão pública e expôs uma fissura no núcleo familiar que concentra parte relevante da força política do bolsonarismo. Para a direção do PL, manter a família unida no palanque é especialmente importante neste momento, em que Flávio tenta consolidar sua candidatura presidencial e ampliar o apoio para além do eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Michelle, por sua vez, preserva peso político próprio dentro do bolsonarismo. A ex-primeira-dama tem influência especialmente entre o eleitorado feminino e ocupa espaço relevante na estrutura do PL. Por isso, Valdemar considera sua participação nos eventos uma demonstração importante de força. Mais do que reunir os dois no mesmo palanque, a intenção é produzir uma imagem pública de que as diferenças foram superadas e de que Michelle está engajada na campanha do enteado.

Pacificação

O movimento ocorre depois de uma tentativa de pacificação conduzida pelo próprio presidente do PL. Flávio pediu desculpas publicamente a Michelle após o episódio que provocou o afastamento entre os dois, e os dois voltaram a aparecer juntos em agendas políticas. A ex-primeira-dama também passou a declarar apoio à candidatura presidencial do senador. Nos bastidores, contudo, a preocupação com os efeitos políticos do conflito permanece, e a direção partidária busca transformar a reaproximação em gestos concretos durante a campanha.

É nesse contexto que as visitas de Flávio ao Rio em setembro ganham importância para o PL. A expectativa é aproveitar a sequência de agendas para mobilizar aliados, fortalecer a candidatura e mostrar que o senador mantém o controle político do Estado.

Um palanque com Michelle ao seu lado teria ainda um significado adicional: funcionaria como uma fotografia de unidade da família Bolsonaro depois da crise. Para Valdemar, mais do que uma participação em um ato eleitoral, seria uma oportunidade de encerrar publicamente um episódio que expôs as diferenças internas do grupo.

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