Michelle é escalada para ato de Flávio Bolsonaro no Rio

Valdemar Costa Neto quer explorar reaproximação entre os dois e reforçar imagem de unidade do bolsonarismo durante campanha presidencial

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Ronald Nogueira

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tenta convencer Michelle Bolsonaro a participar de um dos atos que Flávio Bolsonaro fará no Rio de Janeiro em setembro. O senador deverá voltar ao Estado ao menos quatro vezes ao longo do mês, em uma ofensiva para reforçar sua presença eleitoral em seu principal reduto político. A presença da ex-primeira-dama é tratada dentro do partido como um ativo para a campanha e, ao mesmo tempo, como uma oportunidade de exibir uma trégua depois do recente atrito entre os dois.

A preocupação de Valdemar é evitar que as divergências entre Michelle e Flávio contaminem a campanha. O embate entre os dois ganhou dimensão pública e expôs uma fissura no núcleo familiar que concentra parte relevante da força política do bolsonarismo. Para a direção do PL, manter a família unida no palanque é especialmente importante neste momento, em que Flávio tenta consolidar sua candidatura presidencial e ampliar o apoio para além do eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Michelle, por sua vez, preserva peso político próprio dentro do bolsonarismo. A ex-primeira-dama tem influência especialmente entre o eleitorado feminino e ocupa espaço relevante na estrutura do PL. Por isso, Valdemar considera sua participação nos eventos uma demonstração importante de força. Mais do que reunir os dois no mesmo palanque, a intenção é produzir uma imagem pública de que as diferenças foram superadas e de que Michelle está engajada na campanha do enteado.

O movimento ocorre depois de uma tentativa de pacificação conduzida pelo próprio presidente do PL. Flávio pediu desculpas publicamente a Michelle após o episódio que provocou o afastamento entre os dois, e os dois voltaram a aparecer juntos em agendas políticas. A ex-primeira-dama também passou a declarar apoio à candidatura presidencial do senador. Nos bastidores, contudo, a preocupação com os efeitos políticos do conflito permanece, e a direção partidária busca transformar a reaproximação em gestos concretos durante a campanha.

É nesse contexto que as visitas de Flávio ao Rio em setembro ganham importância para o PL. A expectativa é aproveitar a sequência de agendas para mobilizar aliados, fortalecer a candidatura e mostrar que o senador mantém o controle político do Estado. Um palanque com Michelle ao seu lado teria ainda um significado adicional: funcionaria como uma fotografia de unidade da família Bolsonaro depois da crise. Para Valdemar, mais do que uma participação em um ato eleitoral, seria uma oportunidade de encerrar publicamente um episódio que expôs as diferenças internas do grupo.

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