A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) se reúne na próxima segunda-feira (23) para apresentar, discutir e votar o relatório final dos trabalhos. A expectativa é que pelo menos dez pessoas sejam indiciadas. O documento deve ser submetido ao plenário da Casa em março e, posteriormente, encaminhado ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal.
Instalada em junho de 2025, a CPI foi criada para investigar a atuação de empresas privadas que utilizam sistemas de videomonitoramento em vias públicas, além da operação de cooperativas e associações de proteção veicular. O foco incluiu ainda outros grupos econômicos que, segundo a comissão, podem ter se beneficiado do crime organizado no estado.
Prisões e conduções coercitivas
Durante meses de apuração, os deputados adotaram medidas como a determinação de prisões e a aprovação de conduções coercitivas de empresários. A comissão também interrogou chefes de quadrilhas especializadas em roubo e clonagem de veículos no Complexo de Gericinó e identificou um suposto galpão utilizado para desmanche de automóveis.
Entre os convocados esteve o cantor Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, chamado a prestar esclarecimentos sobre a recuperação do seu veículo. O episódio ganhou repercussão e chegou a resultar em ameaças ao presidente da CPI, deputado Alexandre Knoploch (PL).
Associações sob suspeita
Knoploch também chegou a produzir um vídeo em suas redes sociais apontando indícios de crimes envolvendo associações de proteção veicular que, em tese, deveriam operar sem fins lucrativos como alternativa ao seguro tradicional. As suspeitas incluiriam enriquecimento ilícito de gestores, contratação de parentes e eventual participação de agentes públicos.
O parlamentar também aponta possíveis crimes de lavagem de dinheiro, apropriação indevida, concorrência desleal e corrupção. “Temos relatos de clientes que, após roubos e furtos, foram submetidos a interrogatórios vexatórios para tentar criar narrativas que afastem a responsabilidade das associações”, afirmou na ocasião.
Conexões investigadas
Outro eixo da investigação envolve possíveis vínculos dessas entidades com milícias e facções criminosas. Há relatos de associação criminosa para facilitar a devolução de veículos mediante pagamento de resgates, o que pode configurar receptação, além de denúncias de constrangimento ilegal, assédio moral e violação de direitos do consumidor.






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