Deputados interrogam presos em Gericinó sobre esquema de roubo de veículos

CPI ouviu cinco detentos apontados como líderes do crime organizado e investiga ligação entre associações de proteção veicular e quadrilhas

O Complexo Penitenciário de Gericinó recebeu, nesta segunda-feira (15), a primeira diligência externa da CPI das Câmeras da Assembleia Legislativa (Alerj), que ouviu cinco detentos apontados como protagonistas de esquemas de roubo e clonagem de veículos no Rio. A comissão busca esclarecer a possível ligação de quadrilhas com associações de proteção veicular e empresas do setor.

O presidente da comissão, deputado Alexandre Knoploch (PL), avaliou que os depoimentos colhidos ajudarão a reforçar as investigações. “A CPI teve sua primeira diligência em unidades prisionais e pode retornar a realizar oitivas como essa para investigar demais práticas criminosas”, disse.

A visita contou também com a presença dos deputados Marcelo Dino (União), vice-presidente; Filippe Poubel (PL), relator; Rodrigo Amorim (União), membro titular; e Alan Lopes (PL), suplente.

Quem foram os detentos ouvidos

Foram interrogados Vinicius Sebastian dos Santos Catrinck, o Capetão, apontado pela Polícia Civil como chefe de roubos de vans e cargas; Thiago Fernandes Virtuoso, conhecido como Tio Comel, considerado o maior clonador de carros do Rio; Gildásio Esteves Lima; Luciano da Silva Teixeira, o Sardinha da CDD; e Jefferson Dias Lino, apelidado de Rouba Cena.

Segundo Knoploch, todos os presos já receberam pagamentos de empresas ligadas a associações do setor investigado. Para ele, os depoimentos contribuem para “montar o quebra-cabeça” sobre a conexão entre atividades empresariais legalmente constituídas e práticas criminosas.

Avanço das investigações

Desde agosto, a comissão já havia ouvido representantes de startups de monitoramento por câmeras, empresas de rastreamento e proteção veicular, além de autoridades de segurança pública. O colegiado também acompanha denúncias relacionadas ao uso de ouro em operações ilegais e à movimentação financeira de cooperativas ligadas ao setor.

Instalada em junho, a CPI concentra esforços em apurar como sistemas de vigilância e associações de proteção veicular podem ter sido instrumentalizados por grupos criminosos.

As informações levantadas em Gericinó serão anexadas ao processo da comissão, que tem contado com o apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) nas diligências. Próximo encontro do colegiado será no dia 22.

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