A CPI das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) inicia nesta segunda-feira (15) uma nova etapa de suas investigações. O colegiado realizará, nesta segunda-feira (15), no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste, a primeira atividade externa desde que foi instalado. Na ocasião, cinco presos apontados como integrantes de quadrilhas especializadas em roubos de carros e cargas serão ouvidos pelos parlamentares.
Criada para apurar a atuação de empresas de proteção veicular e o uso de sistemas de monitoramento em vias públicas, a comissão pretende reunir informações sobre a ligação entre esse setor e organizações criminosas. A decisão de realizar as oitivas em ambiente prisional havia sido anunciada no último dia 8.
Detentos na mira da comissão
Entre os nomes confirmados estão Vinicius Sebastian dos Santos Catrinck, o Capetão, apontado pela Polícia Civil como líder de roubos de vans e cargas; Thiago Fernandes Virtuoso, conhecido como Tio Comel, considerado o maior clonador de carros do Rio; Gildásio Esteves Lima; Luciano da Silva Teixeira, o Sardinha da CDD; e Jefferson Dias Lino, apelidado de Rouba Cena.
Segundo o presidente da CPI, deputado Alexandre Knoploch (PL), todos os presos já teriam recebido resgates de empresas ligadas a associações de proteção veicular. “Com esta ação vamos começar a montar o quebra-cabeça para identificar os possíveis envolvidos nas práticas criminosas relacionadas à proteção veicular e resgate de carros roubados e furtados”, afirmou.
O relator do colegiado, deputado Filippe Poubel (PL), usou ironia ao comentar a lista de detentos convocados. “Até o capeta nós vamos ouvir”, disse, em referência ao apelido de um dos criminosos. Em seguida, adotou tom mais duro: “Se as empresas recuperadoras forem citadas por esses bandidos, nós iremos agir com o rigor da lei”.
Próximos passos da investigação
As oitivas em Gericinó representam uma tentativa dos parlamentares de reunir provas mais diretas sobre o elo entre criminosos e entidades que atuam no mercado de recuperação de veículos. Knoploch destacou que a medida reforça a disposição do grupo em ampliar o alcance das investigações. “Não vamos medir esforços para apurar a verdade. Queremos expor a ligação de organizações criminosas com empresas que deveriam atuar na legalidade”, declarou.
A CPI das Câmeras tem previsão de seguir até o fim do ano e pode convocar novos depoentes, entre eles empresários, representantes de seguradoras e cooperativas. A expectativa é que os testemunhos colhidos no presídio ajudem a confirmar ou descartar suspeitas já levantadas sobre a relação entre milícias, traficantes e o setor de proteção veicular.






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