No dia mais tenso da CPI das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), marcado pela decretação de duas prisões, o colegiado encerrou os trabalhos nesta segunda-feira (22) anunciando novas convocações e o convite ao cantor Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo.
Para o presidente da comissão, deputado Alexandre Knoploch (PL), a fala pública de MC Poze sobre ter certeza de que seu carro seria devolvido levanta dúvidas que precisam ser apuradas. “Eu mesmo já tive o veículo roubado e não tinha essa certeza. Aliás, o meu carro não retornou”, comentou o parlamentar.
O objetivo é esclarecer detalhes sobre o roubo e a rápida recuperação do veículo do artista, ocorrido na noite de quinta-feira (18), no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. A próxima reunião será no dia 06 de outubro.
Foram presos ainda os empresários Sergio Belo David, da Rio Ben Benefícios, que se recusou a responder perguntas dos deputados, e Thiago de Lima Menezes, da Êxodos Benefícios, sob acusações de falso testemunho. Os dois foram levados para 4ª DP (Centro).
Novas empresas na mira da CPI
Além da convite a MC Poze, a CPI também aprovou a chamada de novas empresas: Ascom Bom, Master Car e Master Rio (2010 a 2015). A decisão foi tomada após o depoimento de Marcos David Fuerte, gestor da MAC Assistência 24h e tio de Nathalia Paiva David, presidente da Rio Ben Benefícios, apontada como uma das peças-chave no esquema investigado.
Os deputados sustentam que já existem indícios concretos de crimes de sonegação fiscal e tributária, além de vínculos de empresas de proteção veicular com traficantes em favelas, no contexto da recuperação de automóveis roubados.
O relator da CPI, deputado Filippe Poubel (PL), informou que a oitiva realizada na última semana no Complexo Penitenciário de Gericinó com presos por roubos de veículos. Segundo ele, os detentos confirmaram a existência do pagamento a criminosos de resgates por empresas de proteção veicular.
“As empresas de pronta resposta recuperam mais veículos do que a própria polícia, muitas vezes em áreas controladas pelo tráfico. Existe uma tabela de preço: cerca de 10% do valor do carro na tabela FIPE. Ou seja, uma caminhonete de R$ 300 mil ou R$ 400 mil tem resgate de 30 a 40 mil reais, indo direto para o traficante. Essa prática se tornou uma receita rápida do crime e contribui para o crescimento do número de roubos no estado”, destacou.
Polícia Militar será acionada
A comissão também determinou o envio da taquigrafia da sessão ao Comando da Polícia Militar. O motivo é o depoimento do major do 23º BPM (Leblon), Paulo Fernandes da Silva Júnior, casado com Lidiane Fernandes Ferreira, proprietária da empresa Black Hawk Monitoramento.
Ela afirmou à CPI que utilizava a prestação de serviços de policiais desarmados durante suas folgas para atuar em atividades privadas da empresa. Com esse encaminhamento, a Polícia Militar poderá abrir procedimento administrativo para apurar a conduta do oficial.
Conduções coercitivas
Ao longo do depoimento, o colegiado tentou conduzir coercitivamente Carla Caldas, da Pontual; Rodolfo Varella, da Tetra; Ronald Nazário da Silva, presidente da Mais Prime Clube de Benefícios; e de Hilário Balvedi, da Clube Unirque. Nenhum deles, no entanto, foram encontrados.

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